|
URINOTERAPIA
A prática da ingestão e utilização de urina como loção corporal e mesmo medicamento natural tem origens que se perdem na história da humanidade. É uma das práticas mais populares e antigas, altamente utilizada por diversas culturas ao longo dos tempos. Diferentes povos como os Tibetanos, Egípcios, Gregos, Incas, Maias e Astecas possuem, em suas raízes, registros desta prática milenar que apesar de não ser um tema amplamente divulgado e relativamente pouco utilizado nos dias de hoje – pelo menos publicamente – sobreviveu até então. Abertamente divulgada e utilizada na Índia atual, inclusive não só a urina humana mas também a urina de vaca, como prevenção à malária, e em países e localidades carentes, como por exemplo o nordeste do Brasil, a ingestão de urina recebe várias denominações sendo a mais comum Urinoterapia.
A história da Urinoterapia no ocidente é curiosa. Na tradição europeia sabe-se que os médicos da antiga Grécia utilizavam a urina para curar feridas, mordidas de cães, picadas de cobra, enfermidades cutâneas, infecções oculares, queimaduras e cicatrizes. Na Roma antiga utilizava-se a urina para lavar todo o tipo de tecido pois a urina é um excelente detergente natural. Encontramos o uso da urina na cultura Celta dos Druidas com uma conotação mágica. Nos últimos séculos a urina segue sendo utilizada em muitos países e até mesmo pelos cientistas e indústria de cosméticos, pois a uréia é componente certo nos melhores produtos de rejuvenescimento.
No Oriente, a Urinoterapia é muito comum na tradição hinduísta e frequentemente associada a tradição Ayurveda, que é considerada muitas vezes como “a mãe de todas as medicinas”. Na índia foi encontrado um documento, de cinco mil anos atrás, que descreve a prática da Urinoterapia. O documento é composto de 107 versos e chama-se Shivambu Kalpa Vidhi ( O método de beber urina para o rejuvenescimento) e forma parte de um documento mais amplo, o Damar Tantra. Na tradição budista e taoísta também encontramos a pratica do Shivambu Kalpa Vidhi. No Yôga Tântrico chama-se Amaroli que deriva da palavra amar, que significa imortalidade. A Amaroli utiliza-se, em certas correntes de Yôga, em determinados exercícios, nomeadamente no Kriyá, atividade de purificação das mucosas.
QUEBRA DE PARADIGMA
Uma “mudança de paradigma”, expressão introduzida por Thomas Kuhn, historiador e filósofo, em seu livro The Structure of Scientific Revolutions (A Estrutura das revoluções científicas), consiste na mudança de um esquema de pensamento. Em grego a palavra “paradigma” tem o significado de “modelo”. Um paradigma é uma estrutura de pensamento, um modelo que explica determinados aspectos da sociedade e representa a “verdade”.
Através dos tempos, a sociedade do mundo inteiro vem rompendo paradigmas e substituindo-os por outras formulações, diferentes estruturas de pensamento que levam a uma maneira clara e nova de pensar sobre velhos problemas.
O uso da urina para fins terapêuticos e preventivos representa o rompimento de conceitos de higiene, saúde e desenvolvimento sociocultural, principalmente no ocidente e em países economicamente desenvolvidos.
Com o avanço tecnológico e científico que ocorreu no mundo nos últimos tempos, as Medicinas Naturais e tradições populares foram sendo deixadas de lado e consideradas desprovidas de embasamento científico. As “fórmulas” populares foram substituídas gradualmente por medicamentos sintéticos e industrializados e por tecnologias de diagnóstico cada vez mais sofisticadas e cada vez menos inseridas na “natureza” humana. O simples fato de beber urina possui, nos dias de hoje, um significado fortíssimo tanto em relação ao rompimento de paradigmas e tabus socioculturais como a superação de limitações e bloqueios pessoais.
Uma vez estando disposto a compreender melhor o funcionamento do próprio organismo, que substâncias ele fabrica e do que elas são compostas, sem pré conceitos e deixando de lado os dogmas científicos, o indivíduo pode descobrir coisas inimagináveis sobre si mesmo e estar livre para ver a realidade a partir de um ângulo diferente.
Relativamente ao sabor e cheiro da urina, pode-se dizer que varia muito de acordo com a alimentação que a pessoa faz. Uma dieta a base de carnes, excessivamente salgada (o que é comum nos enlatados, embutidos e na comida da maioria dos restaurantes “fast food”) e rica em aditivos, certamente terá um odor forte e uma coloração escura, mas a partir do momento em que uma dieta equilibrada a base de frutas, legumes e pouca carne é incorporada, a qualidade da urina torna-se superior, o que não significa que o odor se modifique por completo. Esta é uma questão importante, e que constitui uma barreira resistente para quem começa a prática da Urinoterapia. Se pensarmos bem em termos de sabor e odor, certos alimentos e bebidas têm o mesmo problema, mas acabamos por nos acostumarmos com o sabor estranho do queijo roqueford, da cerveja, do vinho, etc. A mesma coisa acontece em relação a urina. As primeiras vezes podem parecer estranhas, mas depois habitua-se ao sabor e, geralmente, após adequarmos a alimentação à prática, a urina fica cada vez mais “limpa” e diluída, portanto, com um sabor mais suave e até agradável
PROPRIEDADES DA URINA
A ideia de que a urina é um produto tóxico não está baseada nos fatos. A urina é simplesmente um produto filtrado da corrente sanguínea. O que em um momento antes era parte do sangue, um pouco depois foi transformado em urina. Os rins funcionam como filtros por onde passam centenas de litros de sangue. A maior parte da urina filtrada , chamada, “pré urina”, é diretamente reabsorvida pelo sangue, as substâncias excedentes e os produtos finais do metabolismo do nitrogênio e as proteínas, juntamente com a água, formam a urina que excretamos diariamente. Os rins não se ocupam de eliminar do corpo as substâncias venenosas pois este é o papel do fígado, dos intestinos da pele e do ar que exalamos. Sua composição é de 96% de água e 4% de elementos orgânicos e inorgânicos. Dentre os elementos e compostos inorgânicos destacam-se o cloreto de sódio e outros sais de cloro, sais de enxofre, fósforo, sódio, potássio, cálcio, magnésio, cobre, flúor, iodo, ferro, zinco, ácido fosfórico e ácido sulfúrico. Quanto aos compostos orgânicos a urina contém: uréia, creatinina, amônia, ácido úrico, albumina e outras proteínas, além de 21 espécies de aminoácidos, aminas e ácidos orgânicos. Possui também os seguintes hidratos de carbono: cetoácidos, ácido lático e ácido úrico; as vitaminas, A, B, C, E, entre outras, e ácido pantotênico; os hormônios hipofisários, sexuais, prostaglandinas, ADH (hormônio antidiurético), entre outros; a alantoína, extraída da urina, é uma substância que ajuda no processo de cicatrização de feridas e excelente anti-rugas. Portanto, A urina é um produto puro do sangue, além de ser um excelente medicamento natural que o organismo humano produz gratuitamente.
A Urinoterapia pode ser utilizada por todos, porém convém o acompanhamento de um terapeuta a fim de evitar pequenos problemas, pois no caso de uma pessoa possuir determinados desequilíbrios fisiológicos e seguir uma dieta inadequada, a ingestão indiscriminada de urina pode desencadear “crises curativas” desagradáveis. No caso do uso de medicamentos alopáticos encontramos também algumas limitações.
Através desta terapia pode-se curar praticamente todo o tipo de doenças e inclusive algumas enfermidades mais graves como o câncer.
A urina pode ser ingerida pura ou, se houver dificuldades em se acostumar com o sabor, diluída em água, sumo de fruta ou infusão de ervas. Pode ser aplicada diretamente sobre a pele como loção ou compressas. É um excelente substituto do shampoo e das loções capilares (anti-caspa, por exemplo).
Quando ingerida deve ser fresca e preferencialmente o fluxo médio da primeira da manhã, pois durante as horas de sono o organismo produz substâncias preciosas. A urina guardada de quatro a oito dias é excelente para a pele e aplicações externas. Com urina fresca também lava-se os olhos e mucosas.
Portanto, o corpo humano é uma fábrica natural de medicamentos, fonte gratuita de saúde, e devemos edificá-lo e buscar uma maior compreensão do funcionamento e das potencialidades deste complexo sistema e devemos seguir o conselho da máxima escrita no templo de Apolo: “Homem, conhece-te a ti mesmo”
Andreia Santiago
Terapeuta - Medicina Tradicional Chinesa e Terapias Naturais
Instrutora de Yôga
Portugal - Lisboa
|