| Economia de Comunhão - Caminhar sobre a economia com coragem |
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| Por LuaEstrela | |
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Economia de Comunhão - Caminhar sobre a economia com coragem Empresas em Comunhão Aliando o princípio espiritual “Que todos sejam Um” à doutrina da Economia de Comunhão, que envolve já oitocentas empresas em todo o mundo, o Movimento dos Focolares reúne hoje mais de quatro milhões de seguidores. Em Portugal, dez empresas trocam a “cultura do Ter” pela “cultura do Dar”, seguindo preceitos éticos de uma gestão responsável. CAMINHAR SOBRE A ECONOMIA COM CORAGEM A reflexão a seguir deseja mostrar a necessidade de se criar um espaço para dar condições de formar as pessoas, particularmente os executivos que participam da Economia de Comunhão. Diante dos grandes desafios que esse Projeto propõe é necessário que o executivo seja formado nesta visão, para que seja ao mesmo tempo conceitual e prático. Que consiga bons resultados, ser excelente técnico e possa desenvolver todos os aspectos da espiritualidade da unidade nos processos humanos de desenvolvimento. Evidencia-se esta falta de formação, quando observamos o uso de frases como estas: “ninguém é perfeito”, “cada um tem o seu estilo”, “todo mundo faz assim”, “não há clima em nossa empresa para falar essas coisas”, “isso é fora da realidade”, “no nosso país não dá...”, “na teoria, tudo parece bonito, mas no chão da fábrica isso não funciona”, e assim por diante. Ou conclusões como esta: “Ele é um gênio técnico, mas é intratável como ser humano”. Tais premissas muitas vezes são usadas como pretexto, para não optarmos pela experimentação dos princípios da EdC, no dia-a-dia do mundo do trabalho; outras vezes servem para justificar falhas de formação e deficiências administrativas. Essas lacunas na formação geram conflitos internos nas pessoas, porque elas acabam vivendo valores diferentes nas várias atividades do ser humano, dificultando assim o desenvolvimento completo da experiência de Economia de Comunhão. Desse modo, acabamos nos acomodando com essas “deficiências normais” que prejudicam o desenvolvimento da experiência da EdC e tambem o nosso, como pessoa. Por isso precisamos descobrir uma maneira de crescer continuadamente, em formação e educação. Essa formação deve ir além da aquisição de conhecimentos técnicos, que são importantes e indispensáveis, mas não é suficiente; devemos formar a “pessoa por completo”, particularmente o “executivo” a fim de que seja competente em todos os aspectos da vida da empresa, que, na realidade, não deixa de ser uma conseqüência da sua vida pessoal. Essa conscientização e formação contínua nos dariam a sabedoria para implantar os aspectos da espiritualidade da unidade no mundo do trabalho, envolvendo todas as dimensões da vida empresarial, das mais simples, que podem parecer inexpressivas, até as mais complexas. Existirão as dúvidas porque estamos à procura da “verdade”. Na vivência do dia-a-dia da EdC, notamos que o grande inimigo para seu desenvolvimento não é a dúvida e sim o medo. Nós nos sentimos pressionados constantemente pelo medo! Medo de perder as coisas que pensamos que podem nos proporcionar a felicidade; medo de errar, medo de perder a imagem que outras pessoas fazem de nós, ou daquilo que pensamos ser, medo de perder nosso capital, nossas idéias e tudo aquilo que sonhamos ter. Lembro-me que quando nós fizemos essa escolha, de viver a fraternidade na nossa empresa, ou seja, quando optamos por fazer a experiência de EdC, senti medo. Medo e angústia, porque, como um alarme, me vinham idéias que haviam ficado registradas em minha memória, idéias de coisas que vivenciei em outra época. Embora esse medo fosse real, ele foi acionado por coisas que não existiam mais, por fatos registrados em minha memória. Então, não foi a nova escolha que me deu insegurança, mas foram lembranças de um passado que não existia mais. E a coragem de fazer essa escolha me fez observar esse fenômeno com clareza e constatar que havíamos escolhido o caminho certo. Isso me libertou de temores repletos de falsas idéias. Uma das grandes virtudes da Economia de Comunhão é a abertura, que trará liberdade para que essa experiência venha a ser renovada como qualquer organismo vivo que evolui. É importante lembrar também que o grande propulsor dessa experiência é a fé, e as dúvidas que surgem, são elementos que irão fortalece-la e criar vida nova, eliminando o passado e nos colocando no momento presente. Questionemo-nos! É necessário que nos questionemos continuamente e nos desapeguemos de todos os conceitos, de todas as coisas e ideologias, para estarmos abertos à verdade contida na essência da Economia de Comunhão, que tem suas raízes na Fraternidade Universal. Um outro ponto importante para a Economia de Comunhão é o acompanhamento daquilo que acontece nas empresas para que não haja um distanciamento entre a vida e a teoria. Devemos lembrar que todos os trabalhos acadêmicos e teóricos, também são importantes porque nos indicam o caminho, e são necessários para provar premissas diferentes das aceitas pela sociedade. Mas tudo o que acontece nas empresas e nos pólos é o grande instrumento que irá mostrar a possibilidade de uma vida econômica nova porque contém o poder de transformação pelo exemplo. Podemos ilustrar isso com o que aconteceu com Galileu Galilei (1564-1642) no início da Idade Moderna. Ele convidou a sociedade da época a olhar pelo telescópio que havia inventado (era uma luneta montada num tripé). Com isso Galileu foi um dos protagonistas na criação de uma nova física, segundo a qual a Terra girava ao redor do Sol e que era a gravidade que nos mantinha presos à Terra. Entretanto, muitos relutaram a olhar pelo telescópio porque tinham medo de colocar em questionamento aquilo que acreditavam, ou seja, na antiga física que afirmava que a Terra era o centro do universo. Relutaram porque a constatação de que a Terra gira em torno do Sol os obrigava a mudar a concepção que tinham do Universo. A EdC e o telescópio. Ao ler e estudar a EdC é preciso sempre usar o telescópio, que no nosso caso são os Pólos Empresariais que dão visibilidade ao Projeto, são os faróis da EdC. Esses pólos e essas empresas deverão evidenciar a verdade que está escrita no texto da Vida, que contém a mensagem de Deus. Quando perguntaram a Beethoven, o grande gênio da música, o que ele queria expressar com a 3ª sinfonia, o grande mestre respondeu: “Se eu pudesse expressar com palavras o que ela significa, não precisaria expressar com a música”. Assim, somente com uma grande sensibilidade e abertura, que surgem quando vivemos a Arte de Amar, será possível captar a realidade que existe nos Pólos Empresariais. A melhor maneira de nos aproximarmos e entendermos a mudança de paradigma existente na EdC é nos questionarmos continuamente e nos formarmos individualmente para olhar as pessoas como pessoas novas, sem preconceitos nem lembranças negativas, e com o coração aberto. Este exercício de reflexão nos libertará de nossos preconceitos: veremos que a Economia de Comunhão é um novo manual de Vida e traz um novo significado da economia para a humanidade. Focando e refletindo Com este foco sugerimos algumas reflexões para sermos mais eficazes: * Alinhar pensamentos e atividades que os novos paradigmas exigem. Quando nos libertamos da educação tradicional e procuramos novos conhecimentos, podemos perder a essência, o foco do que estávamos procurando, que é a felicidade do ser humano, usando a economia como ferramenta para este objetivo; Para que isso aconteça sugerimos dez itens/assuntos a serem desenvolvidos por pessoas competentes, num ambiente de fraternidade, onde não há aquele que ensina e outro que aprende, mas juntos descobrirmos caminhos para uma formação mais intensa e completa dos agentes da EdC, o que, com certeza, trará uma renovação continuada a esse Projeto. (1) O papel político da EdC: * Contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável, visto que a EdC propõe uma otimização de sete princípios, segundo o círculo das cores, os quais priorizam a vida da empresa e não a maximização dos lucros; (2) EdC como agente de transformação: * Quebrar o círculo “vicioso” onde os problemas crônicos na economia geram outros problemas, e transformá-los em um círculo “virtuoso”, em que as soluções gerem motivação para outras soluções; (3) O executivo como catalisador de resultados: * O empresário da EdC deve acreditar no impossível e ser capaz de viabilizá-lo encontrando e criando essas oportunidades; (4) O executivo como técnico: * Deve ser competente e dominar a técnica do que irá produzir, levando a empresa a ter sucesso. De fato, são requisitos para o empresário da EdC: ser competente, honesto e confiável; (5) O executivo como negociador: * Deve ser capaz de desencadear negócios e levá-los a uma conclusão satisfatória; (6) O executivo como educador: * Gerar sucesso, que deve vir da aprendizagem coletiva e não unicamente do saber individual; (7) O executivo como líder de líderes: * O executivo deve ser um motivador de pessoas para potencializar o grupo; (8) O executivo como exemplo de vida: * Deve estar sempre motivado pelo Ideal de um mundo melhor – consciente de ser ele um agente transformador; (9) O executivo como cultivador de valores: * Ter como essência da estratégia no processo de desenvolvimento da empresa, a espiritualidade de comunhão; (10) O executivo como comunicador: * Criar uma estrutura na empresa capaz de gerar uma boa intereção entre seus membros; Estas reflexões sobre a Economia de Comunhão focalizam prioridades, ampliam a percepção da realidade e adicionam valores humanos à economia, o que significa abrir caminhos para um novo paradigma. Entretanto estes novos paradigmas não nascem por definição, mas são construídos. Eles nascem da escolha que fazemos provocando o surgimento de uma consciência coletiva que liga o conhecimento e ação de forma competente. Só assim conseguiremos mudar a cultura da dominação, da acumulação, do consumismo e do individualismo, para o paradigma da unidade e comunhão.
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