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| Susan Andrews, fundadora do Instituto Visão Futuro - Entrevista |
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| Notícias - Ponto de vista | |||
| Escrito por LuaEstrela | |||
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Susan Andrews, fundadora do Instituto Visão Futuro - Entrevista 16/04/2010 - No interior do estado de São Paulo, próximo à cidade de Porangaba, uma ecovila chama atenção, tanto no Brasil, quanto em outros países. É o Parque Ecológico Visão Futuro, fundado com o objetivo de tornar-se um modelo de desenvolvimento rural integrado e sustentável. O Parque é um espaço do Instituto Visão Futuro, que possui diversas iniciativas. Dentre seus programas e projetos, o Instituto está trabalhando com a proposta de Felicidade Interna Bruta (FIB). A equipe foi pioneira, ao trabalhar com o tema, no Brasil. "FIB me inspirou porque, como uma ecovila, é uma abordagem de transformação sistêmica, envolvendo múltiplas dimensões da vida simultaneamente", explica a fundadora do Instituto, psicóloga e antropóloga pela Universidade de Harvard – EUA, doutora Susan Andrews. A seguir, ela apresenta algumas reflexões. RTS - Como surgiu o Instituto Visão Futuro? Susan - O Instituto Visão Futuro surgiu com a intenção de manifestar na prática a visão mais abrangente que somos todos conectados náo só na família da humanidade, mas na família de toda a criação. Como diz o futurista Erwin Lazlo, o velho paradigma de Conquista, Consumo e Colonização está se auto-destruindo, e um novo paradigma está emergindo, de Conexão, Compreensão e Cooperação. O Parque Ecológico Visão Futuro, uma “ecovila” situada no interior do estado de São Paulo, próximo da cidade de Porangaba, foi fundado com o apoio do governo de Suécia na época da Eco-92 com o objetivo de tornar-se um modelo de desenvolvimento rural integrado e sustentável. O Parque consistia, em seu início, de uma casa com sete cômodos, um barracão precário, um velho cobertor e uma única colher. Durante os anos seguintes, com o apoio de incontáveis simpatizantes e de doações, e com o trabalho incansável de dezenas de voluntários de todas as partes do mundo, o sonho tornou-se realidade. O nosso lema é: “Do consumo à conservação, da apatia à compaixão, da alienação à celebração. Fazemos o futuro hoje”. RTS - Quais são seus objetivos? Susan - A proposta do Parque é estabelecer uma economia solidária e auto-suficiente, que possa prover as necessidades básicas – alimento, habitação, saúde, educação, remédios e cosméticos – aos seus integrantes. Nossa horta orgânica, padaria e doceria produzem boa parte dos alimentos consumidos pelos moradores, e seu excedente é vendido ao público em geral. O Centro de Ayurveda – a ciência milenar de saúde integral - oferece tratamentos para os moradores e ao público em geral, e o laboratório fitoterápico, anexo a uma horta de plantas medicinais, produz medicamentos e cosméticos ayurvédicos que ajudam na manutenção da saúde e do bem-estar dos moradores. Na Creche CreSer, as crianças locais não apenas aprendem a ler, escrever e contar, mas desenvolvem auto-motivação, dignidade, valores éticos, criatividade e uma atitude de amor para com todos os seres. Uma micro-destilaria de álcool faz parte da nossa meta de “Soberania Alimentar e Energética”. A cana de açúcar não é cultivada de forma intensiva e extensiva, mas sim consorciada com feijão, girassol e mandioca. Com isso, além de produzirmos a energia renovável que abastece os nossos veículos, produzimos alimentos para os moradores e para o bairro no nosso entorno. Talvez, um dos mais importantes projetos do Instituto sejam os cursos ministrados no Parque, especialmente o Curso de Biopsicologia que promove o desenvolvimento integral do ser humano, nos planos físico, mental e espiritual, com uma abordagem científica da medicina corpo-mente. RTS - Quais são os outros projetos desenvolvidos pelo Instituto? Susan - O Projeto Educoração, que é biopsicologia na prática para crianças, inclui o que se chama de “Alfabetização Emocional” e “Alfabetização Ecológica”: uma abordagem educacional cuja essência é despertar nas crianças a empatia pela vida como um todo. Essa abordagem – que transforma não somente os professores mas também a sala de aula - está sendo espalhada pelo Brasil inteiro através da capacitação de professores, em parceria com governos estaduais e municipais. O Programa Transforma é um conjunto de estratégias para introduzir mudanças mais eficientes e conscientes nas organizações, aplicado especialmente nas empresas para gerar uma nova cultura de sinergia entre o indivíduo, a equipe, a instituição e a comunidade - mudanças profundas, baseadas em valores éticos, transformando os participantes por meio do crescimento interior. O Programa de Saúde Integral aplica os princípios e tratamentos de ayurveda na saúde pública, incluindo módulos de prevenção de doença, orientações sobre alimentação e estilo de vida, psicologia positiva e terapia em grupo. Essa abordagem holística não somente alivia os sofrimentos mental e físico, mas também resgata a auto-estima dos participantes e sua convivência harmoniosa na sociedade. Nossos programas de educação ambiental para crianças e jovens acontecem regularmente no Parque. Atualmente, estamos preparando vários “Festivais de Água” nas cidades circunvizinhas, com o patrocínio da FEHIDRO. Acreditamos também muito no poder da arte, do modo que todos nossos cursos envolvem muita música, dança e teatro. O grupo de artistas do Parque, com o patrocínio da empresa 3M, está apresentando um espetáculo “Casa da Vovó Ofélia” em dezenas de escolas na região de Campinas, para mobilizar uma nova visão nas crianças de ajuda mútua e paz interior. RTS - Quais são as Tecnologias Sociais existentes no Parque Ecológico em Porangaba? Susan - As instalações ecológicas – cata-ventos, aquecimento solar, tratamento biológico da água de esgoto, reciclagem de água, agricultura orgânica e compostagem – são compartilhadas com o público em geral em programas públicos, desde um programa chamado “Domingo no Parque” até um curso de pós-graduação em sustentabilidade. A economia solidária e geração de emprego no meio rural – na horta, padaria, doceria, laboratório, cozinha etc. - proporciona uma vida digna para os moradores do bairro que trabalham no Parque. Todos os projetos do Instituto acima mencionados - em educação, saúde e arte - visam uma profunda transformação social, em vários campos da vida. RTS - Dentre as ações, o Instituto está trabalhando com a proposta de Felicidade Interna Bruta (FIB). No que consiste? Susan - O Indicador FIB, Felicidade Interna Bruta, foi criado no Butão como um novo paradigma de indicador sistêmico de progresso e mensuração da verdadeira riqueza de uma comunidade. Como apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), pesquidores internacionais desenvolveram um indicador universalmente aplicável para fornecer de maneira participativa, dados mais amplos e mais acessíveis ao público e também mais relevantes para a formulação de políticas públicas. Com enfoque qualitativo, esse indicador gera discussões públicas, pró-atividade e protagonismo por parte da população. São nove as dimensões do FIB: bom padrão de vida econômica, boa governança, educação de qualidade, boa saúde, vitalidade comunitária, proteção ambiental, acesso à cultura, gestão equilibrada do tempo e bem estar psicológico. Atualmente, esses indicadores estão sendo implementados não somente no Butão, mas também em outros países do mundo, tais como Inglaterra, EUA, Tailândia e Canadá, bem como em cidades no Brasil, incluindo São Paulo, Campinas, Itapetininga etc. RTS - Como ocorre, na prática, a implantação do FIB? Susan - O objetivo do FIB é o de mobilizar a cidadania (adultos, jovens e crianças) em prol do bem-estar coletivo nas nove dimensões do Indicador FIB. Isso é feito através da coleta de dados a partir do questionário FIB ministrado pelos jovens do bairro, seguido de uma série de reuniões na comunidade para incentivar o protagonismo da população na busca contínua da felicidade individual e comunitária. Uma nova abordagem de “Educação para Felicidade” é introduzida nas instituições de ensino locais, com a finalidade de promover valores positivos nas crianças e nos jovens, de uma forma lúdica e duradoura, e também para proporcionar seu desenvolvimento integral através de técnicas de harmonização corpo-mente. A plena expressão do potencial de liderança é estimulada nas crianças - tornando-as “Agentes de Alegria” que inspiram e motivam os adultos - e nos jovens que atuam como dinâmicos parceiros dos adultos no movimento a favor do bem-estar coletivo e do desenvolvimento sustentável local. RTS - O que deve fazer uma instituição ou pessoa interessada em reaplicar o FIB? Susan - Entrar em contato conosco através do site www.felicidadeinternabruta.org.br. Logo quando o questionário FIB estiver validado, começaremos a disponibilizar essa tecnologia social para os grupos interessados de todo Brasil. RTS - A humanidade e o planeta Terra estão passando por um momento decisivo em vários aspectos: ambientais, sociais, econômicos e políticos. Qual o papel do Brasil nesse contexto? Susan - Estamos num período de extraordinário perigo. No passado, a sociedade humana enfrentou várias crises em diferentes aspectos da civilização - psicológico, social, político, econômico e ecológico. Mas, atualmente, estamos nos defrontando com crises em todas essas áreas simultaneamente. Estudei com um grande mestre na Índia que nos ensinou que a aurora de uma nova civilização gloriosa está de um lado, e o desgastado esqueleto do passado no outro. Chegou a hora de abraçarmos essa aurora radiante. Desde cheguei ao Brasil, há 20 anos, senti intuitivamente que este país tinha, e tem, um papel especial de iluminar o caminho rumo a essa nova civilização - ao futuro que todo ser humano almeja. E a cada ano que passa, tenho mais certeza disso. - Outras Informações - Fonte: http://www.rts.org.br/entrevistas/entrevistas-2009/susan-andrews-fundadora-do-instituto-visao-futuro
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