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| O que é especismo? |
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| Notícias - Sociedade em ação | |||
| Escrito por LuaEstrela | |||
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Uma questão fundamental O que é especismo? É, provavelmente, o maior desafio que existe, no caminho para a libertação dos animais. Trata-se de uma atitude em que se afirma que os animais são inferiores, pelo simples fato de serem animais. Isto é, obviamente, um preconceito, que obedece a um padrão similar ao de outros, como o racismo e o sexismo. Em verdade, não faz sentido afirmar que um ser é inferior, só porque pertence a determinada espécie... não mais do que afirmar que um ser é inferior, só porque pertence a determinada raça ou sexo. Acontece que racismo e sexismo afetam seres humanos, e neste caso a sociedade há muito compreendeu que a discriminação é abominável, tanto lógica como eticamente. Por infelicidade, o especismo diz respeito aos animais, e no caso deles a sociedade mantém uma atitude muito distinta, pois essa é uma postura ainda bastante comum, e há quem passe a vida sem questionar se realmente é válida. O especismo fincou raízes profundas em todos nós, e é preciso muita reflexão para varrer todos os seus vestígios – sob pena de incorrermos em graves contradições. Isso ocorre, até mesmo, em alguns representantes expressivos do movimento de defesa dos animais. É o que fica evidente em Jane Goodall, que estudou chipanzés em seu habitat natural ao longo de décadas, e hoje é considerada um ícone do movimento. A seguinte passagem foi extraída de uma entrevista que concedeu em 2007 a uma revista espanhola: Pergunta: Crê que se deveria proibir pesquisas com primatas no campo médico? Resposta: Sim, deveriam ser proibidas, salvo quando exista uma justificação muito clara de que um experimento poderia salvar vidas humanas, por exemplo na investigação sobre males como Alzheimer e Parkinson. Não sou necessariamente contra toda a investigação com primatas ou outros animais. O que acredito é que, quando um experimento é justificado por motivos médicos, deve-se cuidar ao máximo que os animais sofram o mínimo possível. Mas sabemos que hoje isto não é assim. A realidade é que a maioria dos laboratórios são lugares horríveis. Na verdade, essa declaração esconde mais do que contradições éticas. É difícil entender a fé que Goodall demonstra na eficácia dos experimentos com animais, depois que ela escreveu o prefácio de um livro publicado em 2003 *, onde se denuncia os erros desse método - pois o organismo dos animais difere em muitos aspectos do organismo humano, e usar os primeiros como modelos deste último é inútil, ou mesmo perigoso. Até mesmo pesquisas com primatas não proporcionam informações confiáveis, de modo que a afirmação da pesquisadora é surpreendente. E no aspecto moral, sua contradição é ainda mais grave. Pois Goodall conhece como ninguém os chipanzés. Certamente, não os considera menos capazes de sentir e pensar do que certos humanos, como portadores de graves deficiências mentais. Na verdade, é bastante claro que chipanzés podem ter mais capacidade subjetiva do que estes humanos... Ora, certamente ela não julga aceitável que um humano com grave deficiência mental seja usado em experimentos, ainda que isso possa trazer grandes benefícios para a sociedade – o que é uma atitude muito correta. Mas aí, o especismo em sua postura se torna flagrante, pois ela aceita com simplicidade que se use primatas em alguns casos - os que, da maneira surpreendente que foi comentada acima, ela entende serem capazes de proporcionar benefícios para nós. Mas se Goodall demonstra essa postura, isso é porque de nada adianta conviver com animais, falar de suas qualidades, defender um certo cuidado para com eles, enquanto se conserva a noção de que - no fundo, no fundo - são inferiores a nós, e isso só porque são animais... É preciso dar um passo além, e este só pode ser dado se superarmos o velho hábito de pensarmos por hierarquias. O fato é que não existem seres inferiores a nós. Tampouco existem seres superiores, ou mesmo iguais. Há tempos, nas relações entres seres humanos, foi reconhecido que é imoral estabelecer uma comparação de valor entre os indivíduos, devendo-se entender e valorizar cada um tal como é. Infelizmente, nas relações entre humanos e animais, ainda se considera aceitável rotular estes últimos segundo nossos critérios de valor, de modo que nunca os vemos e valorizamos tal como são. E como Jane Goodall, acabamos admitindo que é correto usá-los, até mesmo impor-lhes sofrimento, porque cremos que assim obteremos algum benefício. * É o livro dos médicos Ray e Jean Greek, duas autoridades mundiais na crítica da experimentação animal. Seu título é "Sacred cows and golden geese: the human cost of experiments on animals" [Vacas sagradas e gansas dos ovos de ouro: o custo humano dos experimentos com animais] Referência: CPDA – Comitê para Pesquisa, Divulgação e Defesa dos Direitos Animais Conheça mais: Assista ao filme Terráqueos – o maior documentário sobre a relação humano-animal já produzido, com narração do ator Joaquim Phoenix – www.vista-se.com.br/terraqueos (Atenção: contém cenas fortes de maus-tratos.) COMITÊ PESQUISA DIVULGAÇÃO E DEFESA DIREITOS ANIMAIS - Fonte: http://www.portaldomeioambiente.org.br/noticias/2008/abril/30/3.asp
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