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| O Xamã e os Males do Espírito entre os Nahuas e os Maias |
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| Notícias - Cultura ancestral | |||
| Escrito por LuaEstrela | |||
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O Xamã e os Males do Espírito entre os Nahuas e os Maias Mercedes de La Garza Publicação original: Revista de la Universidad Nacional Autonoma de Mexico. Os Xamãs No pensamento indígena, a realidade visível e tangível não é a única que existe; por trás dela existem outras esferas onde residem inúmeros poderes que determinam a existência do cosmos. O homem, para o indígena, tem uma natureza dual, composte de corpo e espírito, pela qual é um ser capaz de transitar por essas esferas misteriosas, transpondo os umbrais de acesso a elas, mas apenas conseguem fazê-lo em certos estados especiais, quando o espírito se desprende do corpo. Isso pode ocorrer por diversas causas e em diferentes circuntâncias da vida, e pode ser voluntário ou involuntário. Entre as formas de separação do corpo e do espírito, destacam-se o sonho e o transe extático. O primeiro é uma das maneiras normais, involuntárias e comuns a todos os homens, de desprender o espírito do corpo; o segundo é voluntário e excepcional, pois apenas o conseguem aqueles que tenham sido elegidos pelos seres sagrados, tenham passado por um período iniciático de aprendizagem e manejo das forças divinas e possam crontrolar suas potencialidades anímicas, das quais obtêm poderes sobrehumanos. Esses homens poderosos, especializados em práticas de externamento do espírito, são os Naguais, assim chamados tanto entre os Nahuas (dos quais procede o termo) como entre os Maias, ainda que recebam diversos outros nomes segundo os diversos idiomas. De qualquer maneira, como a palavra nagual sofreu várias mudanças de sentido através dos séculos, começando pela tergiversação que dela fizeram os frades espanhóis na colônias, aqui os chamaremos xamãs, palavra siberiana que adquiriu significado universal. Desde a época pré-hispânica até a atualidade, têm existido xamãs no mundo nahuatl e maia, entendidos como homens dotados de qualidades sobrenaturais derivadas de seu manejo do transe extático. Este é alcançado mediante rigorosas práticas ascéticas, como jejum, insônia, abstinência e autosacrifício, acompanhadas de meditação, danças e cantos rítmicos e ingestão ou aplicação de substâncias psicoativas - tanto cogumelos e plantas alucinógenos como bebidas embriagantes. O transe consiste em desprender o espírito do corpo em estado de vigília e controlar todas as suas ações; assim, o xamã pode "ver" tudo que os demais não vêem, o que é sinônimo de conhecer; é capaz de subir ao céu, descer ao submundo e percorrer longas distâncias em poucos segundos; da mesma forma, de comunicar-se com os deuses, com os mortos, com os espíritos de outros homens vivos e com seu próprio alter-ego animal. Também tem a faculdade de transformar-se em animais, em líquidos vitais (como o sangue) e em fenômenos naturais (como raios, bolas de fogo e cometas). Pode dominar as forças da natureza (como o granizo) e, sobretudo, pode "ver" a causa das enfermidades e propiciar magicamente a cura. Os xamãs foram e são os conhecedores e intérpretes de sonhos e aqueles que manejam os produtos psicoativos (plantas sagradas e bebidas embriagantes) para comunicar-se com o sagrado e para as práticas curativas e de adivinhação. Aqui, falaremos apenas da função médica do xamã. Entre os Nahuas e os Maias, privilegiaremos uma visão histórica geral, desde a época pré-hispânica até a atualidade. Por enfermidades do espírito entendemos aquelas predominantemente psicossomáticas que atingem os indígenas. Antes de mencioná-las, é necessário advertir que a maior parte das enfermidades, como reconhecem muitos médicos, têm um caráter psicossomático. Por isso, para compreender qualquer sistema médico é necessário conhecer o seu contexto cultural, a concepção do mundo e da vida, as idéias sobre o corpo humano, que explicam os conceitos de saúde e enfermidade e as práticas curativas. Cada cultura tem as suas próprias doenças e suas próprias terapias correspondentes; um homem da cultura ocidental não adoeçe de flato, de barajusto, de pochitoque ou de mal de aranha, nem se cura com fórmulas mágicas, incenso e orações, assim como para um tojolabal ou um ch'ol não serviriam, seguramente, os placebos utilizados pelos médicos ocidentais. Não queremos dizer com isso que não existam enfermidades biológicas, físicas, nem uma medicina científica, ou seja, um conhecimento objetivo e universal do corpo humano e seus males, mas apenas que evidentemente existe um alto percentual de enfermidades de caráter psicossomático, o que foi bem compreendido pela xamã mazateca Maria Sabina, quando dizia que o que adoece é o espírito, dessa forma era preciso curá-lo para curar o corpo. Época Pré-Hispânica Entre os Nahuas pré-hispânicos haviam diversos tipos de xamãs especializados tanto em causar enfermidades como em curá-las; dizia-se que o mesmo xamã podia ser "bom ou mal", entendendo-se por isso que seus poderes podiam ser direcionados para o bem e para a saúde dos outros ou para a sua destruição. Um dos xamãs nahuas mais importantes era o nahualli, considerado um sábio com poderes sobrehumanos para transformar-se em diversos animais; era um conselheiro sério e respeitado. O bom era curandeiro e guardião; o mal, encantador e feiticeiro, causador de enfermidades. De forma geral, todo xamã com poderes de transformar-se era denominado nahualli; assim, converter-se em um animal era fazer dele o seu nahualli. Por exemplo, o tlacatecolotl, "homem-coruja" (que também se transformava em cachorro), era um nagual maléfico, pois causava enfermidades ao queimar figuras de madeira de suas vítimas, verter o próprio sangue sobre estas ou dar-lhes para beber poções venenosas. Ele e outros naguais malignos eram tecotzquani, "come-panturrilhas" e teyolloquani, "come-corações", porque enfeitiçavam as pessoas. Fazxiam magia, como fazer uma imagem de madeira de uma pessoa, adorná-la como se costumava fazê-lo com um defunto e em seguida queimá-la para ocasionar a morte. Todos esses xamãs malignos tinham como protetor Nahualpilli, um aspecto de Tezcatlipoca. Entre os naguais benéficos estava o teciuhtlazqui ou "granizeiro", que podia produzir granizo e conjurá-lo. O xamã especializado em medicina era chamado Ticitl, "o que pratica a medicina". Diz-se que era um curandeiro com experiência em ervas e todo tipo de poções, assim como em incisões, e também podia provocar enfermidades e seduzir mulheres para enfeitiçá-las. Tinha muitas especilidades, entre as quais estavam as do Paini, um xamã adivinho, especializado em uso de alucinógenos e propriamente um médico de enfermidades do espírito. Esses curandeiros passavam por iniciações religiosas, que consistiam em morrer e descer ao submundo, onde recebiam a instrução médica, o conhecimento dos diagnósticos, dos instrumentos para curar e das ervas sagradas. Para diagnosticar usavam a adivinhação, que se realizava de formas distintas: mediante nós e cordas, grãos de maiz, água, o calendário ritual, interpretações de sonhos e ingestão de plantas alucinógenas e psicoativas em geral: cogumelos, peyote, ololiuhqui, tlapatl, toloache, estafiate e, sobretudo, picietl ou tabaco. O intérprete de alucinações foi o Paini - "o que ingere uma beberragem". Ele usava os alucinógenos e logo diagnosticava, ou então fazia o paciente beber a erva sagrada. As enfermidades que levavam a consultar o Paini eram aquelas muito longas e penosas, que eram atrib uídas a feitiço. Os textos mencionam, por exemplo, susto, angústia e "náusea no coração". O próprio enfermo, ao beber o alucinógeno, dava sinal de onde estava a enfermidade. Outro Ticitl diagnosticava interpretando sonhos: trata-se do Temiquiximati - "o conhecedor de sonhos" - que tinha livros especiais sobre o significado dos sonhos, ainda que fizessem sua interpretação principalmente graças aos seus poderes sobrenaturais e por sua habilidade para controlar o espírito fora do corpo. Devido ao seu ofício, chamavam-nos "filhos da noite, como Tezcatlipoca e como Malinalxochitl, a irmã feiticeira de Huitzilopochitl, que era uma grande nagual maligna, "puxadora de pernas, desencaminhadora de pessoas, adormecedora de pessoas, que come cobras, pois chama todas as centopéias, aranhas e se torna feiticeira... muito grande velhaca - disse Tezemococ" (1975, p.28). Entre os antigos maias também haviam vários tipos de xamãs, começando pelos próprios governantes, que foram retratados nas estelas com seus atributos sacerdotais e portando insígnias do deus celeste supremo, em nome do qual governavam. Os textos coloniais quiches e cakchiqueles os chamavam de Nawal Winak, "homens naguais", e descrevem seus poderes sobrenaturais, como a transformação em jaguares e outros animais, a capacidade de subir ao céu, descer ao submundo, a posse de uma grande força física e uma visão tão aguda e penetrante que lhes permitia adivinhar. Os textos não mencionam suas habilidades curativas nem o uso de plantas sagradas, mas podemos inferir que eram também médicos e que empregavam os alucinógensos, como os nahuas. Em compensação, mencionam-se suas rigorosas práticas ascéticas e sua bolsa ritual que era, ao mesmo tempo, insígnia de seu poder. Essa bolsa contia ossos de águia, de jaguar e de puma, cabeças e patas de veado, pedras negras e amarelas - seguramente para adivinhação - penas de garça, quetzal e azulejo, cogumelos e sangrador para o autosacrifício. Mencionam-se també "ervas para refrescar-se", que eram seguramente as plantas curativas. Entre os maias de Yucatan, na época da conquista, os xamãs eram sacerdotes especializados: o Uaiaghon, "bruxo"; o Ah Pul Yaah, "bruxo tirador de enfermidades"; o H'men, "mago que se transformava em animal", que é o que tem sobrevivido até hoje, e os Chilames, que profetizavam em estado de transe. Os xamãs eram médicos e feiticeiros, que curavam com sangrias e tiravam a sorte. Celebravam suas festas durante o mês Zip; durante elas, usavam suas sacolas, que continham pequenos ídolos das divindades da medicina Ixchel e Itzamna, pedras para tirar a sorte e muitos outros objetos. Época Colonial Durante a época colonial, o nagualismo ou xamanismo foi identificado com a bruxaria européia por apresentar várias idéias afins a ela, entre as quais estava a transformação do bruxo em animal. Foi considerado uma prática de uma seita perversa e demoníaca importada do Egito e, assim, os conceitos de magia negra e pacto com o diabo se integraram às crenças indígenas, na mentalidade dos conquistadores e depois na dos próprios índios. Mas os ritos xamânicos continuaram realizando-se na clandestinidade, do que há muitos testemunhos, graças a perseguição de que foram objeto. Assim, Jacinto de La Sierna, Ruiz de Alarcon, Margil de Jesus e Nunes De La Vega, no século XVII, formulam descrições precisas dos poderes dos naguais no altiplano central e em Chiapas. Neste lugar eram chamados Poxlom, de "pox medicina", o que confirma que praticavam principalmente curas. Nunez disse: "contaram-nos que é o demônio, que como bola de fogo anda no ar em figura de estrela, com cauda como um cometa". Os textos afirmam que praticavam a medicina e empregavam para as curas a confissão dos pecados e "medicinas hediondas". Por exemplo: algumas bruxas yacotecas punham taplatl debajo do travesseiro ou o davam para cheirar para fazer perder o juízo. Também eram nigromantes, faziam magia amorosa e sabiam transladar-se ao que Margil chama de "Paraísos Fingidos", sitios onde participavam de festins. Época Atual Nas comunidades indígenas nahuas e maias de hoje encontramos a sobrevivência do xamanismo com suas idéias básicas da capacidade transformadora do xamã e seus poderes de adivinhação e cura. Nos estados do México, Morelos, Puebla e Veracruz, principalmente, sobrevive a tradição xamânica nahuatl. Existem diversas especialidades, como os "granizeiros", e os xamãs continuam sendo os médicos das enfermidades do espírito. Nas comunidades mayances, os xamãs ocupam um lugar de destaque,k pois além de curar enfermidades cumprem um importante papel político-social. Os xamãs de hoje também são escolhidos através de um sonho ou de uma doença, e nesse estado aprendem o ofício de curandeiros e adivinhos; pode-se dizer que a iniciação se produz com o espírito separado do corpo. Os maias e os nahuas continuam considerando que há um bom número de doenças que são causadas por energias e seres sobrenaturais. Sobrevive também a idéia que as patologias dependem da conduta dos homens, os quais, ao transgredir as normas sociais ou morais ocasionam a raiva dos deuses. Por outro lado, os deuses do submundo aparecem aos homens em forma de seres maléficos, como serpentes, formigas, o "Sombreron", a "Xtabay" e o "Moo-tancaz", que deambulam à noite para causar aos homens graves doenças. Também são causas de doenças as influências do signo do calendário ritual, as alterações do equilíbrio corporal e as emoções fortes, como o medo, o ódio, a tristeza e a inveja. Quando o espírito se separa do corpo, como durante o sono ou durante o orgasmo, é muito mais suscetível de se contrair enfermidades, pois se encontra a mercê de forças noturnas e maléficas. Por exemplo, um morto pode aparecer no sono de seu inimigo e adoecê-lo de medo. Os males do espírito chegam a manifestar-se como delírios, afasias, melancolia, irritabilidade, depressão e loucura, entre outras formas, Mas também afetam o corpo, que sofre febres, inchações, dores, urticárias, etc., capazes de provocar inclusive a morte. A mais comum das enfermidades do espírito é a "perda da alma". É possivel perder-se a alma de diversas maneiras, mas sobretudo por "susto" ou "medo", por um acidente ou por "mal-olhado" de um inimigo. Acredita-se que a alma sai e é capturada pelos espíritos guardiães da terra, dos rios, dos bosques, pelos seres do submundo ou pelos "maus aires", que são entidades maléficas com vontade própria. Em tepoztlan, por exemplo, acredita-se que os "aires" habitam nos barrancos e nos formigueiros - palavras que se usam indistintamente para indicar sítios maus e perigosos - já que atacam preferencialmente nesses lugares. Nos barrancos habita também o "arcoiris", identificado com serpentes malignas. Também um feto pode perder sua alma se sua mãe sofre um susto. Os bebês a perdem com mais facilidade, por ainda não terem sua "moleira" fechada. As almas que se perdem ficam no local da perda, ou em poder do "aire", ou ainda se vão para o submundo "Tlalocan". Quando se perde a alma, o corpo adoece. Os sintomas são falta de apetite, debilidade, depressão, excesso de sono ou sono agitado. Outro grupo de sofrimentos do espírito são aqueles ocasionados por seres humanos, que se contam entre os piores. O mais frequente é o "mal-olhado" de um bruxo, que tem várias manifestações. Em geral, os bruxos enviam a doença com fórmulas mágicas e, além disso, preparam poções venenosas e têm como aliados os "aires", que introduzem pelos orifícios naturais de suas vítimas. O "mal-olhado" inclui toda classe de desordens psíquicas e loucura. O bruxo pode por cabelos na garganta ou no estômago de sua vítima, o que lhe causa a morte por asfixia ou dor aguda, e pode introduzir em seu abdomem animais, como ratos, sapos, cobras ou insetos. Os enfeitiçados experimentam dores terríveis e finalmente morrem. Os bruxos também podem produzir esterilidade por "esfriamento" dos órgãos genitais, que se cura com vapores de ervas aplicados diretamente nesses órgãos. Os bruxos podem, por fim, "cortar la hora", ou seja, provocar a morte após uma lenta agonia, através dos seus aliados, os deuses da terra, que aprisionam o animal de poder da vítima e o mantém sem alimentos. A pessoa vai se debilitando, sofre vômitos, dores, inchações e, por último, morre. Há outras alterações causadas por homens com poderes sobrenaturais, ainda que involuntariamente, como as que sobrevêm pela "vista forte" ou por execesso de "calor". Esta é uma energia peculiar que se acumula com os anos e com a sabedoria; entre os antigos nahuas, fazia parte do "tonal". Quando uma mulher está menstruada, por exemplo, tem excesso de calor que pode prejudicar outros, sobretudo as crianças. As enfermidades produzidas por seres humanos, seja voluntária ou involuntariamente, são em geral graves. E precisamente essas enfermidades do espírito são atendidas pelos xamãs, pois seu diagnóstico e tratamento ultrapassa a capacidade e os conhecimentos dos curandeiros comuns. Os xamãs diagnosticam primariamente por adivinhação, da mesma forma e usando as mesmas técnicas de seus antepassados pré-hispânicos. A adivinhação realizada mediante a ingestão de substâncias alucinógenas já não é tão comum como na época pré-hispânica (se conserva entre os nahuas de Serra de Puebla, por exemplo). Os bruxos, causadores de enfermidades, tambésm curam, sobretudo dos padecimentos que eles mesmo ocasionam, como a loucura. Inclusive têm a proteção do mesmo santo que protege os bons xamãs: São Pedro, tanto entre os nahuas como entre os maias. Eles conhecem os ritos, as fórmulas mágicas e as "contra-ervas". Quando um xamã falha, consulta-se o bruxo, que possui mais recursos. As cerimônias curativas são diversas e complexas, mas incluem sempre a queima de copal, que é um dos alimentos dos deuses, orações onde se pede a devolução da saúde ou da alma perdida, exortações para que o corpo enfermo se cure ou a alma regresse e o uso de velas, flores e alimentos. Muitas vezes se mata uma galinha ou galo negro, que se entrega aos deuses em troca da alma. Os ritos se realizam na casa do paciente, no lugar onde se perdeu a alma, visitando em peregrinação diversos altares nas montanhas sagradas ou nos campos. Além das orações e conjuros, se fazem varreduras, banhos e sangrias; também se chupa o mal, como se fazia na época pré-hispânica, e se aplicam ou se dão a beber medicamentos. As vezes a cura so se atinge com a alma separada do corpo, ou seja, durante o sono ou estado de trase extático. Para alcançar esse último, se dá um alucinógeno para o paciente beber, como se faz em Tetela del Volcan. Todas essas crenças e práticas mágicas, ainda que incluam orações cristãs e muitos elementos novos, são em essência de tradição pré-hispânica e estão de acordo com a concepção indígena do mundo e da vida, que de uma forma ou de outra sobreviveram. Mercedes de la Garza é ex-diretora do Museu de Antropologia e História do México. - Fonte: http://www.mitoemagia.com.br/mostra_texto.php?id=40
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