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Exposição sobre a situação dos povos indígenas da Amazônia Imprimir E-mail
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Notícias - Sociedade em ação
Escrito por LuaEstrela   

From: "amas.marubo"
Subject: Exposição do Clovis na Oficina sobre Declaração da ONU

Exposição Sobre a Situação dos Povos Indígenas da Amazônia Brasileira as Autoridades Competentes Presentes no Seminário Um Olhar Indígena Sobre a Declaração das Nações Unidas

Mesa 03 - Militarização de territórios indígenas: "soberania e integridade territorial".

Senhores autoridades e lideranças indígenas presentes, não vimos que nenhum momento a forças armadas é "defensor da soberania nacional". Temos experiências dos militares na fronteira e somos contra militares nas nossas terras, porque só trazem desrespeito com o nosso povo e a sua diversidade.

Os militares não entenderam ainda que os índios já viviam milhares de anos sem devastar essa terra. E depois dos 508 anos da chegada dos invasores europeus só se aproveitaram das mãos de obras, instruções nas selvas,
cultivo de nossas plantas, se empossaram das nossas ervas medicinais e nosso modo de viver na selva, além dessa desgraça, dividiram em fatia os nossos territórios que eles chamam de estados, criando fronteiras, limitando nossa capacidade e nos considerando incapazes e submissos.

Hoje se consideram "defensores da soberania nacional". Mas nunca dizem dos prejuízos cometidos por eles, porque eles são facilitadores de invasões na terra indígena. veja só o exemplo de Tabatinga no estado do amazonas, Raposa Serra do Sol, no estado de Roraima, São Gabriel da cachoeira no Alto Rio Negro no estado do amazonas. Nessas fronteiras os militares facilitaram entrada de bebidas alcoólicas, invasão de garimpeiros, madeireiros, prostituição e transmissão de doenças sexualmente transmissíveis.

Exemplo do vale do javari, se não fosse os Mayuruna, o rio jaquirana estava cheio de garimpeiros e madeireiros porque os militares deixaram passar dragas e madeireiros para retirada de madeira e garimpagens no rio jaquirana, não aceitando, os mayuruna se armaram e enfrentaram os garimpeiros atracando dragas de garimpeiros na área indígena e levou ao conhecimento da organização indígena através de radiocomunicação do CIVAJA, por sua vez a organização acionou FUNAI local e a federal em 2006.

E em 2005, um liderança e um servidor da FUNAI foi preso no pelotão do exercito peruano de ANGAMOS, porque a liderança e servidor da FUNAI apreenderam madeira ilegal na terra indígena contrabandeado pelos madeireiros peruanos, e os militares não fizeram nada.

O Sistema de Vigilância da Amazônia - SIVAM implantou sistema de comunicação, na área indígena que é inviável para defesa da terra indígena. Tendo como resultado a rede de comunicação do CIVAJA que funciona na fiscalização territorial, que nesse caso, todos os problemas acionados pelo CIVAJA ao exercito, funai, policia federal tem sido através da radiocomunicação da organização.

Diante disso, se os militares quiserem fazer parcerias com as organizações indígenas nas faixas de fronteiras, não precisa o exercito está montando base na terra indígena, basta dar condições as populações indígenas, porque
eles têm muitas estruturas que poderia ser utilizados para capacitar os próprios indígenas das aldeias, porque os índios já protegem sua terra, com exercito ou sem exercito.

Nossa opinião é que o exercito tem instrumentos das forças armadas, o exercito poderia implantar nas comunidades indígenas: sistema de comunicação via satélite, radiocomunicação, ampliar o sistema do SIVAM nas comunidades de fronteiras, capacitando indígenas em manuseio de equipamentos de comunicação, GPS para fiscalização do seu território.

Meus agradecimentos e muito obrigado

Clovis Marubo
Líder Indígena do Vale do Javari

 
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