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Notícias - Ecoterra
Escrito por LuaEstrela   

Controle ecológico de pragas e doenças

INTRODUÇÃO

Sentimos a necessidade de vida e alimentação mais saudáveis. A contingência urbana, cada vez mais acelerada, determina o ritmo conturbado do nosso dia a dia. Não precisamos e nem poderíamos viver espelhados em tempos passados; mas poderíamos ao menos buscar na antiga agricultura alguns conhecimentos para o cultivo sustentável da terra.

O fortalecimento da agroecologia é proveniente desta nossa necessidade de cultivo e consumo de alimentos limpos e saudáveis e também da extrema urgência de cuidarmos melhor das nossas fontes de água, de todos os seres vivos que sabiamente a natureza criou, equilibrando a terra e principalmente, à nossa família, oferecendo alimentos e plantas produzidos sem alterar de forma tão agressiva o planeta em que vivemos.

Atualmente sabemos do mal que os agrotóxicos e os insumos sintéticos causam a curto e em longo prazo. Eles são prejudiciais diretamente para quem os aplica e causam sérios danos ao meio ambiente. Descrevemos apenas alguns pontos negativos do uso de agroquímicos:

1 - Degradação ambiental (contaminação dos lençóis freáticos, da água potável entre outros).
2 - Danos a saúde devido a níveis elevados ou mesmo baixos de resíduos químicos industrializados.
3 - Destruição indiscriminada de insetos sem nenhuma consideração sobre o seu papel na natureza.
4 - Envenenamento de animais como pássaros, gado, criações em geral e pessoas que tenham contato com eles.
5 – Desenvolvimento de resistência em insetos, podendo ocorrer fortalecimento dos mesmos já que muitas vezes seus inimigos naturais foram eliminados.

Desta forma é nosso dever procurar alternativas para um cultivo mais racional das nossas plantas. Este cuidado não deve ser apenas na agricultura,  deve ter inicio nas nossas casas, nos nossos vasos e nos nossos tão estimados jardins.

1- FORMAÇÃO DO SOLO

O intemperismo biológico, físico e químico sobre a rocha mãe dá origem ao solo; a biodecomposição dessas rochas realiza-se através de milhares de anos reduzindo-a a partículas. A rocha desfeita é transformada ainda mais por micro e macro organismos (bactérias, fungos, minhocas, tatuzinhos, etc) e isto agregado a restos de animais e plantas vai formando os extratos do solo. As rochas expostas à atmosfera, ficam submetidas a ação direta do calor do sol e da água das chuvas, o que provoca modificações na composição química e física dos minerais.

Sob a ação do conjunto de fenômenos químicos, físicos e biológicos, o solo começa a formar-se se organizando em camadas de aspectos e constituição diferentes, mais ou menos paralelas a superfície, denominadas horizontes.

Quatro destes horizontes são muito importantes para a agricultura:

- Horizonte “O”: possui restos animais, vegetais e microorganismos.
- Horizonte “A”: tem geralmente cor escura e é a camada fértil com riquezas minerais que alimentam as plantas, nele, encontramos folhas, ramos, resíduos vegetais e animais parcial ou totalmente decomposto. É, portanto, bastante humoso, contendo a maior parte dos sistemas radiculares das plantas (camadas de 0,30m).
- Horizonte “B”: é o subsolo, mais duro, podendo atingir vários metros de espessuras. Sua biodegradação é intensa.
- Horizonte “C”: apresenta grande quantidade de fragmentos de rocha em processo de desintegração (alterita).

Rocha mãe, embasamento do solo. A rocha mãe determinará a cor, os minerais e o tipo de solo.

1.2. SOLOS E SEUS CONSTITUINTES

Os constituintes do solo compõem-se de quatro partes: ar, água, matéria orgânica e porção mineral. Solo com boas condições para desenvolver plantas com alta demanda de água:
• 20% matéria orgânica
• 30% minerais
• 25% ar
• 25% água
      Para plantas com abaixa demanda de água
• 10% matéria orgânica
• 40% minerais
• 25% ar
• 25% água
  
O valor pH exprime a intensidade de alcalinidade ou acidez do solo e significa potencial de Hidrogênio (H é o símbolo do Hidrogênio).

Solo ácido; quer dizer terra com grande quantidade de íons de hidrogênio. Esses íons estão em solução no solo ou fracamente presos as partículas de argilas e de matéria orgânica de onde podem sair. Os solos ácidos são comuns nas regiões tropicais úmidas onde o excesso de chuva arrasta elementos como o cálcio e magnésio de sua parte superficial. A acidez eleva a temperatura do solo favorecendo o aparecimento de fungos e bactérias, precursora de doenças fungicas e bacterológicas nas plantas.

A alcalinidade resulta da acumulação de sais, especialmente o Cálcio(Ca), magnésio (Mg) e sódio (Na) produzindo na solução do solo um predomínio de íons OH (hidroxila) em relação ao H (hidrogênio). São características das zonas áridas e semi-áridas. O pH alto abaixa a temperatura do solo desfavorecendo a microbiota que biodegrada a matéria orgânica.

Escala de pH: é formada por 14 unidades de vão. Os valores de pH são assim classificados:

1 a 5,5 = acidez
5,5 a 6,5 = neutro
6,5 a 14 = alcalino

Os elementos nutritivos do solo estão solúveis para a maioria das plantas na faixa de pH entre 5,5 a 6,5. As bactérias e fungos desenvolvem-se bem nessa faixa de pH, biodecompondo a matéria orgânica e transformando-a em húmus. É importante ressaltar que cada planta tem seu tipo preferido de solo.  Nem sempre um solo ácido é ruim para o cultivo e vice-versa.

Constituintes físicos (consideramos para a facilidade de estudo apenas a areia, argila e húmus): A areia e a argila são constituintes minerais, o húmus é matéria orgânica biodegradada. Quase sempre o solo é o resultado da mistura desses três constituintes em proporções variáveis, assim temos: solos argilosos, arenosos e húmus.

Macro-nutrientes:

Nitrogênio (N) principal elemento que compõe as proteínas, fósforo (P) pouco exigido pelas plantas potássio (K) ajuda na formação de açucares e proteínas e controla a absorção e perda de água pela planta, Enxofre (S) ajuda na formação de proteínas e fortalece o sistema imunológico, Cálcio (Ca) é indispensável a todas as plantas, especial agente formador da estrutura, Magnésio(Mg) é essencial a fotossíntese da planta, através da qual a planta usa a luz do sol para produzir energia.

Luz do sol, que a folha traga e traduz, em verde novo, em verde folha, em graça, em luz...”(Caetano Veloso)
  
É a fotossíntese a atividade mais importante das plantas, constitui na captação pelas plantas de gás carbônico (CO2) do ar e sua transformação junto com o Oxigênio atmosférico O2 e H em energia. Ao fornecer boas condições de vida para a planta (ar, água, sol e solo), o processo da fotossíntese é facilitado, gerando plantas saudáveis.

Micro-nutrientes:

Boro (Bo) é importante na formação do pólen e no crescimento do embrião, Ferro (Fé) influencia na formação da clorofila que age na fotossíntese, Manganês (Mn) aumenta a resistência das plantas a pragas e doenças de variações climáticas. Zinco (Zn) influencia no desenvolvimento das partes mais jovens das plantas e na produção de hormônios de crescimento, Cobre (Cu) aumenta a resistências das plantas as pragas, doenças e a seca, Molibdênio (Mo) melhora o desenvolvimento das raízes, Cloro (Cl) é indispensável para o bom desenvolvimento dos macro-nutrientes, Cobalto (Co) ajuda na fotossíntese e na fixação de nitrogênio pelas leguminosas.

Tanto os macros como os micro-nutrientes são elementos essenciais.  

Em geral os solos de São Paulo são pobres em nutrientes por isso é necessária uma avaliação, é interessante buscar o equilíbrio para produzir plantas saudáveis.

O solo ideal seria uma mistura equilibrada entre os tipos argilosos, arenosos e o húmus, onde a planta encontrará condições adequadas para se desenvolver completamente.

1.3 SOLO VIVO = PLANTAS SAUDÁVEIS

Em um ambiente equilibrado, como numa floresta, existe uma grande biodiversidade. Isto significa que há uma grande quantidade de insetos sugadores, fungos e bactérias. Mas estes não chegam a ser pragas, pois cada um tem um papel importante naquele ecossistema, ou seja, a população de insetos, fungos e bactérias estão equilibradas com a população de plantas. Dificilmente as doenças e pragas aumentam de forma desastrosa as suas populações, e o ambiente equilibrado reage contra este tipo de ataque. As principais condições que o ambiente fornece para que isto aconteça são:

- plantas bem adaptadas ao lugar em que estão vivendo;
- boa quantidade e qualidade de nutrientes no solo;
- solo vivo e boas condições de umidade;
- incidência de luz no sistema;
- presença de predadores e controladores biológicos de pragas e doenças;
- quebra ventos naturais.

Quando as plantas se desenvolvem nestes ambientes, elas, através dos processos de fotossíntese e de seu metabolismo, são capazes de produzir substâncias complexas como proteínas, vitaminas e gorduras. Os organismos das pragas e doenças são, na maioria das vezes, muito simples, ou seja, eles possuem um aparelho digestivo incapaz de digerir substâncias complexas, alimentando-se apenas de aminoácidos. Plantas mal nutridas produzem muitos aminoácidos e não conseguem completar a síntese de proteínas sendo, portanto, mais suscetíveis às pragas e doenças.

“Quando insetos invadem seu campo, eles somente vêm como mensageiros do céu para avisar-lhe que seu solo está doente”(sabedoria veda, 1.600 anos aC).

Uma vez detectada uma infestação de pragas e doenças, é fundamental investigar e descobrir o que está desequilibrado. Para corrigir e melhorar as condições gerais de sua propriedade é importante devolver o equilíbrio ao ambiente. Este processo é lento e bons resultados exigem ritmo e disciplina. Numa situação emergencial, é necessário recorrer às técnicas de combate, evitando a propagação desastrosa de pragas e doenças, utilizando defensivos e práticas ecologicamente viáveis.

1.4 PRINCÍPIOS E PRÁTICAS DE CONTROLE ECOLÓGICO DE PRAGAS E DOENÇAS

Que são pragas?

São parasitas que se multiplicam de maneira desordenada, prejudicando a produção agrícola (agente externo).

Que são doenças?

Desequilíbrio causado por fungos, vírus e bactérias que são atraídos pelo organismo vegetal quando este encontra-se desnutrido e sem condições climáticas adequadas, prejudicando o seu desenvolvimento (agente interno).

Condições favoráveis ao aparecimento e propagação de pragas e doenças:

- monocultura;
- falta de matéria orgânica no solo ou até 5% de MO;
- exposição direta do solo ao sol e a chuva;
- planta fraca;
- desequilíbrio mineral;
- falta de micro-nutrientes;
- falta de incidência ou insuficiência de luz solar;
- excesso ou falta de umidade;
- excesso de vento.

1.5 CONTROLE ECOLÓGICO

Compostagem orgânica

Quando se deseja cultivar a terra, é necessário devolver a ela os nutrientes e a vida que lhe foram retirados. A compostagem é o processo de transformação de materiais orgânicos em húmus. O húmus é essencial para a vida da terra, ele disponibiliza macro e micro nutrientes, umidade e ar, favorecendo o micro clima. Nutre o solo e melhora suas propriedades físicas, sendo a precursora da revitalização da microbiota que regenera solos degradados.

Vantagens: o composto agrega as partículas de argila, formando os grumos que funcionam como esponjas, retendo nutrientes, água e permitindo uma boa aeração no solo. Isto evita a compactação e a erosão, já que a água penetra na plantação e não escoa superficialmente. Agrega nitrogênio, potássio, enxofre, cálcio, magnésio, entre outros nutrientes, que ficam por muito mais tempo no solo. Os grumos aumentam a resistência da terra em relação às intempéries e ao manejo com máquinas pesadas.

Para a obtenção de composto orgânico coleta-se matéria orgânica de fácil decomposição e fermentação (restos dos vegetais e animais), transformando-a em húmus.

Material: folhas secas e verdes, corte de grama, galhos triturados, serragem, aves, restos de vegetais domésticos, casca de ovos, esterco bovino, suíno e de aves, restos de matadouro, etc.

Faz-se pilhas de acordo com o material disponível.

Como exemplo tomemos um metro quadrado, direto do solo cercado por tábuas. Coloque o material em camadas de 0,20 a 0,30m de altura, tendo o cuidado de regar toda a matéria orgânica. Para facilitar a saída do calor gerado pela fermentação colocar duas estacas, provisoriamente para servir de futura chaminé e termômetro. Quando a pilha já firmada inicia sua fermentação, será produzido calor e a temperatura aumentará consideravelmente. Ao chegar a 30 dias, vem a primeira viração ou tombamento da pilha. Se o interior estiver seco, rega-se até homogeneizar a umidade geral.

A parte superior da pilha é colocada no solo e a medida que formamos as camadas, molha-se até chegar a parte final. Colocam se novamente as estacas chaminés. A rega não é para encharcar, é apenas para umedecer.

Chegando aos 60 dias, procede-se novo tombamento, fazendo com que o material volte ao seu lugar primitivo (o que estava em cima fica embaixo e vice-versa).

A cor do composto já será escura ao chegar aos 90 dias. A temperatura será a do ambiente e o cheiro agradável.

Adubação verde

É o cultivo de espécies vegetais que quando manejada adequadamente adubam o solo. Nas entressafras como cobertura de solo para a posterior incorporação destas. As principais espécies são:

Verão:

- crotalária;
- feijão de porco;
- feijão guandu;
- mucuna preta;
- mucuna anã;
- soja, entre outras.

Outono inverno:

- aveia branca e aveia preta;
- ervilhaca;
- grão de bico;
- nabo forrageiro;
- tremoço, entre outras.

Rotação de cultura

Quando cultivamos uma determinada espécie, ela retira alguns nutrientes e repõem outros. Desta forma, a rotação de cultura é fundamental para um bom manejo.

1.6 ALGUMAS PRAGAS E DOENÇAS

Ácaros
Grupo de aracnídeos, minúsculos, quase invisíveis. Aparecem, repentinamente, depois de períodos secos e quentes. Polvilhar com cal ou água de alho esguichado com jato fino de água.

Besouro-serrador
Inseto que em período mais úmidos, corta árvores frutíferas e outras. Ataca no inicio da primavera. Usar preparado dinamizado do próprio besouro.

Brocas
Larvas subterrâneas de besouros escuros. Atacam trigo, arroz, batatinha e hortaliças. Soltar galinhas na área. Catação manual.

Carunchos
Larvas que se introduzem nos grãos, depreciando-os. Ocorrem em leguminosas e cereais armazenados por longo tempo. Misturar aos grãos folhas de louro, eucalipto, alecrim.

 

Cochonilhas
São insetos sugadores que retiram os açúcares da seiva. Atacam os mais diversos tipos de plantas, devido à umidade. Pulverizar com sabão ou sementes de mostarda. Controle natural pela joaninha.

Formigas
Sua presença é uma mensagem de solo ressequido, sem fertilidade e impermeabilizado pela impactação. Atacam hortaliças, frutíferas, gramíneas, pastagens e alguns produtos armazenados. Controle natural: galinhas, tamanduás, quatis, sapos e rãs. No formigueiro aplicar cal virgem e derramar água. Usar a cal somente quando houver uma quantidade considerável de ovos no formigueiro, pois a cal com água atinge uma temperatura de cerca de 100o. C cozinhando os ovos e as formigas que lá estão. Espalhar sementes de gergelim nos canteiros e cercar os formigueiros ou caminhos das formigas com biomassa fresca. Porém o melhor método para controlar formigas e cupins é a introdução de matéria orgânica, chegando a concentração de até 30% de MO no solo. Solos assim formigas e cupins não atacam.

Gafanhotos
Possuem diversas fases de desenvolvimento, sendo que as duas últimas são as mais vorazes. Atacam trigo, aveia, cevada, milho, pastagens, cana-de-açúcar e alfafa. Coletá-los e queimá-los e colocar as cinzas sobre as plantas.

Lagartas
Existem vários tipos. Atacam capuchinhas, couve, e hortaliças em geral. Armadilhas luminosas, pulverização da infusão de tomateiro. Usar preparado dinamizado da própria lagarta. Usar plantas que atraem-nas.

Vaquinha
Aparência de um cascudinho verde. Ataca hortaliças. Deixar seiva de grama entre os canteiros.
Oídio
Aparecimento de manchas brancas e brancas acinzentadas. Causa: falta de nutrientes, excesso de umidade, falta de sol, etc. Enxofre, direto no solo ou borrifado.

Ferrugem
Manchas redondas que soltam pó, em folhas, frutos, ramos e botões, causando queda dos frutos e grande perda de produção. Causa: excesso de umidade e desequilíbrio dos ferrosmagnesianos no solo. Incorporar  Boro e fazer adubação verde com espécies espontâneas.

Podridão da raiz
Amarelecimento precoce da folhagem e a presença de cordões de fungos violeta nas raízes. Causa: desnutrição, excesso de umidade. Destruir as plantas contaminadas e remanejar a cultura.

1.7 DEFENSIVOS NATURAIS

Em determinadas épocas do ano, as plantas ficam mais vulneráveis a certos tipos de pragas e doenças. Seguem abaixo algumas receitas.

Água de sabão de cinza

Este é o preparado mais usado na horta caseira. Pode ser usado nas plantas ornamentais. Repelente de insetos, pulgões, cochonilha, lagarta e piolhos.
Modo de preparar: picar 50 gramas de sabão e desmancha-lo em 5 litros de água quente, mexendo bem.
Modo de usar: Regar as plantas com o preparado por dez dias.

Água com cinza

A cinza originada da queima da madeira contém muitos sais minerais. Desta forma esta calda serve como fertilizante favorecendo o crescimento de plantas saudáveis.
Modo de preparar: juntar ½ kg de cinza e misturar a 5 litros de água. Deixar descansar por um dia.
Modo de usar: depois de pronto, regar as plantas.

Enxofre

Controla doenças fungicas e microbianas e controla  pragas como cochonilha, ácaros, carunchos e gorgulhos.
Modo de preparar: 100 gr de enxofre em pó, 20 litros de água , 20ml de óleo mineral (1%). Umedecer aos poucos o enxofre até fazer uma pasta. Depois acrescentar o resto da água e misturar bem. Acrescentar o óleo mineral, misturando mais uma vez.
Modo de usar: pulverizar sobre as plantas, evitando a época do florescimento. O enxofre pode ser usado diretamente no solo. Proporção: 100 gramas de enxofre para cada 10 metros quadrados de terra.

Cal virgem

Controla ácaros e formigas e favorece o aumento da alcalinidade.
Modo de preparar: misturar 100 gramas de cal em 20 litros de água fria.
Modo de usar: pulverizar sobre as plantas. Para formigueiro, colocar a cal virgem diretamente neste e regar. Ë necessário óculos de proteção para o preparo e aplicação desta calda.

Cavalinha e camomila

Controla doenças fúngicas e é fertilizante.

Modo de preparar: 300 gramas de cavalinha seca, 100 gramas de flores de camomila seca, 11 litros de água. Colocar de molho em um litro de água, por dois dias as flores de camomila, ferver a cavalinha nos 10 litros de água restantes por 30 minutos e deixar amornar. Misturar com o macerado de camomila.
Modo de usar: para cada 20 litros de água, usar um litro do preparado e pulverizar as plantas.

1.8 PLANTAS CONTROLADORAS DE PRAGAS E DOENÇAS

Algumas plantas atraem insetos e outras atraem fungos e bactérias. Podemos fazer uso delas para nos ajudar no controle natural de pragas e doenças incrementando-as em nosso cultivo como plantas companheiras:

Cavalinha (Equisetum ssp)
Repõe uma quantidade considerável de sílica no solo e ajuda no controle de doenças fúngicas e bacteriológicas. A cavalinha é uma planta muito especial. Se usada como esponja vegetal é preventivo da celulite e favorece a regeneração celular por esfolamento da pele, uso moderado. Fortalece unhas e cabelos e a estrutura. Favorece o crescimento das crianças.

Tagete (Tagetes patula)
Controla bem nematóides e atrai insetos variados. Também pode ser usada calda de suas flores para controlar pulgões e ácaros. É anti-microbiana.

Capuchinha (Tropaeolum majus)
Controla bem lagartas e atrai insetos, especialmente marimbondos que é o predador natural da lagarta. É planta protetora. O preparado feito com suas flores favorece a microbiota do solo acelerando o processo regenerativo, se consorciada com espécies subsoladoras é precursora de biodiversidade.

Calêndula (Calendula officinalis)
Atrai insetos, traz o sol para o canteiro, boas companheiras para centralizar canteiros.

Picão preto (Bidens pilosa) e serralha (Sonchus oleraceus)
Atrai pulgão cinza, ajuda a equilibrar a acidez (é mineralizante e por ser rico em ferromagnesianos é usado no tratamento de anemia. Extrai muito ferromagnesianos do solo favorecendo a troca catiônica aumentando o pH). O Picão preto e a serralha são depurativos do sangue e do fígado. As flores do picão e as folhas da serralha picadas em tamanhos pequenos é uma boa cominação para o arroz. Ao desligar o arroz jogue a mistura das flores-folhas e abafe. Sirva com azeite e pouquíssimo sal.

Picão Branco (Galinsoga parviflora)
Consorciada com o picão preto, a serralha e cultivares favorece a regeneração do solo. O chá de picão branco com manjericão relaxa a mente e vitaliza a estrutura se acrescido de cavalinha. Essa mesma receita diluída em água (1/1) é um bom fertilizante deixando as plantas viçosas e nutridas.
 
Caruru (Amaranthus viridis)
Regeneradora de solo, favorece o aumento do pH. É mineralizante, o consumo das suas sementes fortalece o sistema imunológico. É precursora da concentração alinhando os corpos coração-mente-emoção, favorece o equilíbrio emocional.

Mamona (Ricinus communis)
Boa companheira de frutíferas, favorece a biodiversidade, não deve faltar na compostagem. Na adubação verde incorpora especialmente os carbonatos. Planta tóxica. O fenômeno da mamona transgênica é bem interessante, ela suga do seu entorno, tornando-se cada vez mais potente, é provável que as próximas gerações sejam outra espécie Ricinus húmus sapiens.

2. MANEJO E CONTROLE DE TIRIRICA

Uma das principais plantas daninhas, possui um conjunto de bulbos, rizomas e tubérculos subterrâneos, interligados em forma de corrente, de onde surgem as folhas e as hastes florais. Os tubérculos são produzidos nos rizomas e, quando brotam, uma ou mais gemas começam a crescer, produzindo novas plantas com mais tubérculos, garantindo a reprodução e a disseminação da tiririca.
A maior parte dos tubérculos (80%) é formada nos primeiros 20 centímetros de profundidade do solo e pode ficar dormente por longos períodos de tempo, sendo que quanto maior for a profundidade em que estiverem os tubérculos, maior será o seu tempo de sobrevivência no solo.

•  OCORRÊNCIA

A tiririca está presente no mundo todo, principalmente em países tropicais e subtropicais, onde encontra condições ideais para o seu desenvolvimento.

•  DISSEMINAÇÃO

A tiririca se dissemina através de:

• aplicação de matéria orgânica contaminada;
• máquinas e implementos agrícolas com tubérculos aderidos.
• mudas contaminadas;
• touceiras de grama;
• enxurradas, sulcos e canais de irrigação.

•  PREJUÍZOS

A tiririca reduz a produção agrícola em 40 por cento, em média, podendo chegar a 90 por cento, no caso de hortaliças.

•  MANEJO INTEGRADO DA TIRIRICA

As técnicas de manejo da tiririca baseiam-se na inibição da formação de novos tubérculos e/ou da brotação destes, e podem ser: prevenção, controle e erradicação.

•  EVITAR A DISSEMINAÇÃO É SEMPRE O MELHOR REMÉDIO!
• Prevenção: A prevenção consiste em evitar-se a introdução de plantas ou qualquer propágulo de tiririca em áreas não infestadas, exercendo-se um rígido controle de qualidade das sementes certificadas.
• Controle: Esta técnica, que deve ser contínua, é composta pelas seguintes fases: diagnose do problema, avaliação da adequabilidade e seleção dos métodos disponíveis e específicos ao problema e execução do controle propriamente dito.
• Erradicação: Esta técnica visa à eliminação de todas as partes da planta da área, consisti em introduzir a cobertura do solo com jornal ou papelão, seguida de cobertura morta. Essa cobertura evita a perda de água, mantendo um teor de umidade que favorece os micros organismos. Com essa técnica a tiririca por conter muitos hormônios favorece a biodiversidade.
• 
• "PREVENIR É SEMPRE A MELHOR OPÇÃO!"

3. ALELOPATIA

Algumas plantas são companheiras outras são antagônicas. Ter esse conhecimento permite-nos um cultivo harmonioso, saudável e, portanto, equilibrado em nossas hortas e jardins.

Esse estudo requer uma observação diária das espécies que cultivamos pois uma mesma espécie pode ser amiga de uma determinada planta e inimiga de outra. Por exemplo: o tomilho é companheiro da sálvia, do tomate, mas não se dar com o manjericão. A alface é amiga da beterraba mas se plantada com a vargem não cresce frondosa e pode começar a trepar.

BIBLIOGRAFIAS

• Claudete, Inês e Mayer, Paulo Henrique - Manual de alternativas ecológicas para a prevenção e controle de pragas e doenças;
• Barreto, Celso Xim - Prática de alternativas ecológicas para a prevenção e controle de pragas e doenças;
• Hiroshi, Edson Seo - Manual de agricultura natural unidade da vida;
•  Sbrook, Peter - Manual prático e completo de horticultura;  
• Transparências das aulas de Ana Maria Primavesi – Manejo de pragas e doenças

Welington Pereira, Embrapa Hortaliças
Dejoel de Barros Lima, Embrapa Hortliças
Túlio Gonçalves de Melo, Embrapa Hortaliças
Angelo Giovani Rodrigues, FEMO/EPAMIG

Idealização: estes textos e receitas são frutos dos meus experimentos na fase inicial dos meus estudos contei com o apoio e experiência de Sabrina Jeha.

 
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