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| Carta Aberta dos Povos Indígenas do Cerrado |
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| Notícias - Campanhas e manifestos | |||
| Escrito por LuaEstrela | |||
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Carta Aberta dos Povos Indígenas do Cerrado Goiânia, 17 de abril de 2008. CARTA ABERTA ás autoridades federais, estaduais e municipais, Universidades e à população em geral. Os representantes indígenas dos povos Karajá, Krahô, Tapuia, Apinajé, Xavante, os professores, alunos e demais convidados participantes da "Semana do Índio" promovida pela Universidade Católica de Goiás (IGPA, ITS, HGSR), em parceria com a FUNAI (Regional de Goiânia) e CIMI, realizada de 14 a 19 de abril de 2008, em Goiânia, período em que debateram os principais problemas vivenciados pelas populações indígenas de Goiás e do Brasil, divulgam a presente Carta-manifesto, resultado de discussões em plenário e aprovação por unanimidade: Declaramos nossa preocupação com o avanço da fronteira agrícola para produção de bio-combustíveis e outros produtos que levam a devastação e poluição do entorno dos Territórios Indígenas. Estamos preocupados também com as grandes obras governamentais previstas no PAC – Plano de Aceleração do Crescimento (hidrelétricas, estradas, linhas de transmissão, etc.), sem o devido diálogo e respeito às posições dos povos indígenas; Preocupa-nos também a municipalização da saúde indígena, através dos convênios assinados pela Funasa; Rejeitamos o termo "reserva indígena" para designar os espaços habitados pelas populações indígenas. Que eles sejam denominados "Territórios Indígenas", conforme orienta a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas; Denunciamos a atual situação do povo Avá-Canoeiro, cujos acordos e direitos às compensações pela construção das Hidrelétricas de Serra da Mesa e Canabrava não vêm sendo respeitados por Furnas-Centrais Elétricas, o que vem afetando a integridade do território da etnia, constantemente depredado e invadido; Reivindicamos a desocupação dos posseiros da "Área I" da Terra Indígena Aruanã, além de projetos de reflorestamento da área III.; Que seja incorporada a área tradicional onde se localiza o cemitério dos Tapuia ao território dessa etnia; Que seja retomado o mais breve possível o funcionamento do Conselho Indígena de Goiás, previsto na legislação estadual; Que o Estatuto do Índio seja revisado e aprovado pelo Congresso Nacional, com a devida participação indígena; Que as línguas indígenas sejam reconhecidas oficialmente nos currículos das escolas brasileiras; Que seja respeitado o Decreto n° 11.645, de 10 março de 2008, que torna obrigatório o ensino das histórias e das culturas indígenas, nos níveis fundamental e médio; Que a FUNAI seja fortalecida e reestruturada, não se admitindo nomeações políticas para a instituição; Que sejam incrementadas políticas mais consistentes que atendam os povos autônomos. Que seja dada atenção especial à saúde dos povos de recente contato; Que seja respeitada a educação diferenciada às populações indígenas, prevista na legislação, inclusive incorporando o calendário cultural de cada etnia no calendário das escolas indígenas; Que sejam abertos espaços midiáticos próprios para as populações indígenas divulgarem seus problemas e culturas; Que sejam exigidas das universidades que as pesquisas realizadas em territórios indígenas tragam retornos práticos que contribuam para a melhoria da qualidade de vida das populações indígenas, incluindo a questão das patentes e direitos autorais; Que as universidades criem equipes interdisciplinares que atuem nos estudos dos impactos sócio-ambientais causados pelos empreendimentos governamentais e empresariais nos Territórios Indígenas; Que nos cursos de pedagogia sejam incluídas disciplinas que estudem e formem os estudantes em "pedagogia indígena"; Que sejam criados cursos de indigenismo nas universidades, com o objetivo de preparar profissionais para atuar junto às populações indígenas; Que sejam incrementados nas universidades os cursos de extensão universitária, que possibilitem o acesso dos universitários aos territórios indígenas, independente da localização geográfica; Apoiamos a retirada imediata dos ocupantes-não-índios da Terra Indígena Raposa-Serra do Sol no estado de Roraima; incluindo os estrangeiros religiosos ou não, representantes de ONGs ou não , que usam como escudo o discurso de defesa das terras indígenas, porém com objetivos escusos.
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