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Assuntos relacionados à adoção de uma Moeda Solidária Imprimir E-mail
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Notícias - Ação solidária
Escrito por LuaEstrela   
Assuntos relacionados à adoção de uma Moeda Solidária !!
"Estão vendo, estas palavras não me pertencem. Não apenas foram inspiradas pela Ely, o Fred, a Tatiana, o Luiz Eduardo e outros, mas também os elementos com os quais trabalhei aprendi, de alguma forma,  com alguém ou com situações. O conhecimento, assim como os recursos e benefícios da natureza, não pertencem exclusivamente a pessoas, a grupos ou a nações."

 
Foto - Assim como a água, também a atmosfera, as terras e todos os recursos da natureza são propriedades de todos
          os seres. Os humanos devem ser seus fiéis depositários.
Qual a motivação

"Estive pensando muito estes dias, estimulado pelas expressões de vocês, sobre a questão da origem da moeda, do dinheiro e do sistema econômico atual.

Não sei quase nada a respeito, com certeza sob o ponto de vista histórico ou antropológico, mas gosto de exercitar minha mente a fim de que ela faça suas descobertas. Após, só poderia ter o desejo de compartilhar com vocês e com outros que forem pesquisar.

 

 

 

Um mundo de consumismo e um mundo sem dinheiro


Como a Ely e outros expressaram "muitos ficam aturdidos por tanta ganância, lutas competitivas e desejo exacerbado pela gastança dos bens materiais, ainda mais quando estimulada pelas propagandas". A decepção de muitos é tão grande que preferem descobrir a possibilidade de viverem em "Um Mundo Sem Dinheiro", motivo da formação de um grupo, coordenado pela amiga Tatiana Regina, desejo este que participo e compreendo como sendo "Um Mundo Sem Este Dinheiro", ou um mundo onde as pessoas optaram por deixar para trás as bases instintivas que sustentam quase todo o sistema econômico do mundo. Em um mundo sem este dinheiro, viveríamos sem o instinto natural e animal de apropriação. No caso dos seres humanos, da apropriação dos recursos da natureza por indivíduos, grupos e nações e da apropriação do conhecimento, motivo que aparentemente justifica ganhos com defasagem extrema entre os profissionais detentores de instrução e os com pouca ou nenhuma instrução. É a apropriação do conhecimento.

Para entender um pouco mais, vamos voar ao passado e tentar imaginar como teria sido inventada a primeira moeda.

 

Como teria surgido a primeira moeda


É provável ter sido lá pelas épocas antigas dos faraós, ou antes, no tempo dos sumérios e acádios, não sei....Mas certamente foi assim : No início, apenas permutavam suas coisas, serviços e produtos entre famílias, e nas feiras. O José criava galinhas e levava-as para a feira. Precisando de um couro de boi, ao chegar lá, perguntava ao curtidor : "Você quer trocar um couro com duas das minhas galinhas ?". Se coincidisse o curtidor estar precisando de galinhas, tudo bem. Mas geralmente ele redarguia assim : "Eu preciso é de um pote de água. Vai por aí e troca as suas galinhas com um bom pote de água, e depois volta aqui, que trocamos"....Lá ia o José procurar uma artesã de potes de barro. Quando a encontrava, até que a coisa não se complicava muito quando ela aceitava três galinhas por um grande e bonito pote de água. E José voltava ao curtidor....Que canseira pra conseguir o que precisava....

Então, alguém criativo daqueles tempos, imaginou criar uma coisa pequena e valorosa que pudesse representar as muitas coisas que todos tinham. Deve ter ido lá no patriarca, ou rei, exposto sua idéia, e daí surgiu a primeira moeda.

O patriarca, vendo que era mais fácil para ele ajuntar moedas de ouro, comprou de pronto a ideia e a colocou em prática. Todo mundo gostou, pois facilitou muitíssimo todas as trocas !!

 

 

 

 

O instinto de apropriação existia bem antes que a primeira moeda

Muito bem !! Mas o problema é que o instinto de apropriação já existia bem antes de aparecer a primeira moeda, ou dinheiro. Os seres humanos, assim como os animais, tomam para si e sua família um território. Sempre fizeram o mesmo. A diferença é que os animais, por restrição das leis naturais, só se apropriam do território, seus alimentos e encantos de prazeres. Os homens começaram a se apropriar de mais coisas, como as terras com árvores de melhores madeiras, as baixadas com barros especiais, as minas de ferro, ouro, prata e tudo o mais. E todas aquelas coisas, apropriadas à força, foram paulatinamente sendo acumuladas e transferidas de pai para filho, e assim sucessivamente até hoje.

 

 

 

A apropriação de outros seres humanos


Outras apropriações também se fizeram presentes nos desígnios dos mais fortes : a apropriação dos outros seres humanos, como escravos e servos. Também como trabalhadores. Tudo era apropriação, assim como ainda o é até os dias atuais. Apropriação é "tornar algo propriedade se si", "tornar próprio de si mesmo". Puro e compreesivo instinto animal !! Este é um dos pilares que sustenta a sociedade moderna. Parece que não, mas é. Infelizmente, é !!

 

 

 

O início da apropriação do conhecimento


A inteligência foi se desenvolvendo ao longo da história humana. Conhecimentos e habilidades foram sendo adquiridas, acumuladas e ensinadas de uma geração para outra. O conhecimento também foi alvo da apropriação desde o início. Como os mais fortes eram poucos, criou-se uma distinção entre eles e os restantes. Haviam também os intermediários. Era o surgimento das classes sociais. E elas existem até hoje, em certo sentido mais nítidas ainda !! As classes daquele tempo, assim como as de hoje, viam na posse do conhecimento uma estratégia para manterem-se no poder, ou melhor, criaram a falsa ilusão de que aquele que tem mais conhecimento merece ganhar bem mais que aquele que não tem. Pode haver uma distinção, sim, a titulo de estímulo para a aquisição do saber, porém não tão distanciada daqueles que são desprovidos de habilidades e conhecimentos.

 

 

As classes sociais institucionalizaram a apropriação


Sempre foi assim : quem, na antiguidade, aprendia a profissão de ferreiro, certamente ganhava bem mais que os simples trabalhadores braçais. Não porque o ferreiro merecia mais por ter se instruído com um mestre, mas porque ele pertencia a uma classe que se apropriava do conhecimento para cobrar mais caro por seus serviços. E é assim até hoje. Nos dias atuais, por exemplo, um técnico estuda (desde a meninice) 11 anos para adquirir o seu diploma de técnico em refrigeração. Após dois anos de alguns pequenos cursos de especialização, começa a trabalhar ganhando, digamos, 2 salários mínimos (em torno de R$920,00). Um porteiro de um edifício que exige o 8º ano do primeiro grau começa ganhando um salário mínimo. Ou seja, porque um estudou 3 ou 4 anos a mais que o outro, tem o aparente direito de receber o dobro, mensalmente, pelo resto de sua vida, digamos por longos próximos 50 anos (considerando que esta diferença continuará a existir) e que neste exemplo hipotético os dois não prosperam em suas possíveis carreiras.

 

 

 

Exemplos de como nosso "mercado" de trabalho é baseado na apropriação

E há, ainda, comparações mais extremadas. Se o referido técnico continuasse a estudar mais uns 6 anos, terá a socialmente aceita remuneração mensal (inicial) de 4 salários mínimos.
Na matemática : 8 anos de estudo : 1 salário/mês(inicial) por 50 anos
                       12 anos de estudo : 2 salários/mês(inicial) por 50 anos
                       18 anos de estudo : 4 salários/mês(inicial) por 50 anos.
Há dois problemas aí : O primeiro é que a proporção não está correta. O último estudou um pouco mais que o dobro em relação ao primeiro, porém vai receber 4 vezes mais.
O segundo problema é que estes valores defasados não são por um tempo limitado, mas por toda uma vida.
A correlação é relativa. Portanto, para entender, não imagine profissionais que se iniciam e progridem em suas carreiras. (pode até ser, desde que se entenda os três profissionais progredindo igualmente em cada uma de suas carreiras) A comparação faz sentido quando se refere à profissão e não a um determinado profissional.
Enfim, o que ocorre, na verdade, é que, até em nossa sociedade dita evoluída, o instinto da apropriação domina as relações do "mercado" de trabalho. E essa apropriação está diretamente ligada ao argumento da preservação da classe social. O técnico e sua esposa dizem assim : "É justo, e precisamos ganhar dois salários para pagarmos nossas contas e comprarmos nossas coisas que custam o dobro das contas e coisas do porteiro e sua família"....Esse argumento é uma ilusão, um sofisma !! As pessoas não são conscientes deste falso patamar, mas esta é a realidade. Nos dias de hoje, as diferenças exacerbadas e distanciadas de ganhos parecem justas e são consideradas normais.  
O sentido da apropriação
O sentido de apropriação do conhecimento é este : "Quero e só aceito ganhar tanto porque sou proprietário deste conhecimento" . "Se tenho a posse dele, sou o proprietário"....Esta afirmação é mais um sofisma :  O conhecimento é sempre adquirido, ou seja, foi absorvido de fora para dentro. O conhecimento profissional é, quase em sua totalidade, recebido de um professor, de um mestre, de alguém que ensinou. Por outro lado, este professor também aprendeu com outro e assim sucessivamente retroagindo aos vários estágios de aquisição antiga do conhecimento. Um novo conhecimento é sempre agregado aos existentes, e o enriquece.
E os resultados das pesquisas e as criações artísticas e literárias ?
Mesmo os conhecimentos criativos, ou seja, aqueles que os sábios, artistas e cientistas adquirem , não são genuinamente deles mesmos, pois estes dons (inspiração, inteligência) eles não conquistaram : foram-lhes concedidos generosamente pela natureza (ou por Deus). Portanto, se um artista ou um pesquisador disser : " Isso que criei é meu", não estará dizendo a verdade. Ele apenas produziu algo de novo a partir de dotes naturais não adquiridos e da utilização de elementos criados ou desenvolvidos por outros.
O conhecimento é como o fluir da água de um rio....
Enfim, o conhecimento, como um todo, é como um rio que nasce pequeno e que cresce e flui à medida que regatos e riachos vão nele se desaguando. No final, de quem é a água do rio ? Da primeira nascente, do primeiro regato que desaguou, de um determinado riacho afluente ?.... De nenhum deles. A água, nem ao rio pertence. Talvez ao mar....Ou mesmo nem ao mar, à atmosfera....Na analogia, o conhecimento humano é propriedade de todos os seres humanos !!
Como pode, então, uns ganharem absurdamente mais que outros só porque deteem um certo grau de conhecimento ? Como vimos, este comportamento é de origem instintiva e animal. É o instinto de apropriação.
Mas será que nós, humanos, devemos ser sempre assim ? Parece tão normal !!... Porém é egoístico, é apropriativo e, sob um certo ponto de vista, é até mesmo uma apropriação indébita.
Somos seres humanos. Podemos decidir de forma diferente !!
Temos o poder de entender estas influências naturais e, em seguida, o poder de decidir tomar outro caminho. Podemos "reprogramar" nossas bases individuais e sociais a fim de que não mais permitam a apropriação. É uma questão de opção. Podemos optar por um mundo onde seres humanos realmente civilizados distribuam mais equitativamente o resultado final de todas as suas conquistas e atividades produtivas.
É isto !! Apropriação de recursos naturais e de conhecimentos. A correlação é evidente : apropriação de bens e serviços. Nesta base primitiva é onde se alicerça quase toda a estrutura econômica atual.
Vamos mudar isso ?....Para relações  que respeitem os iguais direitos de todos os seres aos recursos da natureza e para relações que também respeitem a origem "desindividualizada" de todo conhecimento. Apenas pessoas com esta consciência poderão vivenciar uma sociedade realmente justa !!"
Abração a todos,
Luiz Antonio Spinola, 15/09/2009

 

Direitos Autorais Reservados ( Sou um regato desaguando, que acha que a água que se mistura ao rio é sua )

( Por um certo tempo....)

 

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