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| América Central: comunicação e educação para o turismo sustentável |
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| Notícias - Desenvolvimento sustentável | |||
| Escrito por Alysson | |||
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América Central: comunicação e educação para o turismo sustentável AMÉRICA CENTRAL O educador catalão, Ernest Cañada, é um dos participantes do II Seminário Internacional de Turismo Sustentável, que se encerra hoje (15), em Fortaleza, Ceará (Brasil). Atuando na Nicarágua, na Fundação Luciérnaga, Cañada apresentou o trabalho que desenvolve através de um programa de educação para o turismo sustentável com projeção regional. Em entrevista a Adital, Cañada falou de sua experiência que tem o foco na elaboração de vídeos educativos e publicações na linguagem popular para o uso de grupos de base organizados. Confira a entrevista: Adital - Qual é a ótica do trabalho de comunicação que vocês realizam na Fundação Luciérnaga? Ernest Cañada - Trabalhamos o tema do turismo sustentável, tendo como horizonte a recuperação da memória histórica do povo e o acompanhamento dos setores populares na defesa de seus direitos básicos fundamentais. Em seu trabalho educativo, Luciérnaga tem desenvolvido os seguintes temas: meio ambiente; soberania alimentar; saúde sexual e reprodutiva; turismo sustentável, que o tema que nos trouxe a Fortaleza. Adital - Qual é a ênfase dada ao trabalho educativo no turismo sustentável? Ernest Cañada - Por uma parte, queremos apoiar com instrumentos educativos e metodológicos os projetos de turismo comunitário de pequenos e médios empreendedores. E, simultaneamente, queremos gerar um debate público sobre os impactos negativos dos grandes investimentos transnacionais no turismo. Geralmente, o movimento social é consciente dos efeitos negativos das transnacionais na mineração ou na agricultura. Mas o investimento em turismo tem, freqüentemente, uma boa imagem. Não se tem consciência dos graves danos ao meio ambiente e do desrespeito às leis trabalhistas e ecológicas dos países onde estes investimentos são feitos. Durante o ano de 2004, fizemos em Luciérnaga, alguns vídeos sobre essa questão: "Turismos", ""Finca Magdalena"; "La Finca de los Cerrato"; "Turismo Rural Comunitario"; "Pedro, Juanita y el hotel de Mister Hai", este último é a filmagem de uma obra de teatro encenada pelo Movimento de Expressão Camponesa Artística e Teatral "Mecate". (Os trabalhos podem ser conhecidos em www.fundacionluciernaga.org ) Adital - Como é feita a divulgação dos vídeos? Ernest Cañada - Fazemos uma apresentação dos vídeos em Manágua e em algumas cidades da Nicarágua, convidando os setores interessados, as Redes de Turismo Comunitário. Cada organização interessada, compra os vídeos e os exibe com seu respectivo público. Adital - Além dos vídeos, elaboram outros materiais? Ernest Cañada - Em parceria com a Revista Enlace publicamos um número especial que reúne as experiências exitosas em turismo comunitário. Além disso, estamos preparando um Manual em linguagem acessível aos empreendedores camponeses, mostrando como desenvolver linhas de turismo comunitário integrado ao trabalho de produção agrícola. Foi publicado também um Guia Turismo Rural Comunitário, onde grupos camponeses e comunitários estão gestionando projetos turísticos comunitários. Elaboramos também o livro "Turismo e Desenvolvimento: Ferramentas para um olhar crítico", destinado às faculdades de turismo da Nicarágua que está servindo como uma base para a discussão do tema turismo comunitário entre os estudantes universitários da Universidade Nacional (Unam), a maior do país. Fizemos duas oficinas com os professores dessa faculdade e com os estudantes dos últimos anos do Curso de Turismo. Adital - Qual o impacto da atual fase de desenvolvimento turístico na América Central? Ernest Cañada - Há uma tendência do capital transnacional de apropriar-se das melhores praias, das melhores zonas de bosques e paisagens naturais "exploráveis"; de ocupar os centros históricos das cidades coloniais. Isto pode ser notado desde o sul do México até o Panamá. Vemos as transnacionais na Guatemala tentando apropriar-se não somente dos bosques de Petén, mas também têm a pretensão de apropriar-se de monumentos pré-colombinos muito importantes, maiores do que o de Tikal; apropriando-se de partes importantes de Puebla (México), Suchitoto (El Salvador), Antigua Guatemala e Granada (Nicarágua). Há resistência em alguns lugares, como em Suchitoto, porém, em geral, o grande capital avança, contando com os projetos de restauração dos centros coloniais, tudo financiado com dinheiro público da Cooperação Espanhola. Um exemplo: O projeto de restauração do Centro Histórico de Granada tem servido para valorizar a terra e as construções coloniais, preparando para que este centro passe às mãos do grande capital. Os investimentos da Agencia Espanhola de Cooperação, apresentados como uma ajuda do governo espanhol ao município de Granada e ao povo de Nicarágua tem sido, na prática, a porta de entrada do grande capital espanhol para apropriar-se da maior parte do centro histórico de Granada. Da mesma forma, há uma grande pressão do grande capital sobre os bosques, sobre as praias, rios e lagos exploráveis, sobre as águas. A construção de grandes infraestruturas hoteleiras, freqüentemente, destrói as fontes de água que tem que ser trazida de mais longe, arrebatando a água que, tradicionalmente, era usada pelas comunidades camponesas para seu consumo e para o trabalho agrícola. Estamos vendo uma competição desigual entre o grande capital e os pequenos produtores e a população camponesa. Na maioria dos casos, na América Central, o Estado não assume o papel que lhe corresponde: defender os recursos naturais, que são um direito humano básico dos povos. Adital - Quais são os signos de esperança no trabalho que estão realizando? Ernest Cañada - Estão crescendo as redes de turismo comunitário, porém, todavia ainda são débeis frente ao grande capital. Na Costa Rica, a pressão dos pequenos organizados tem conseguido que o turismo comunitário seja declarado de interesse público. Na Nicarágua, há um processo para revisar a Lei de Isenções de Impostos para o Turismo, com a finalidade de que a mesma proteja também aos pequenos empresários turísticos, ao turismo comunitário. Finalmente, quero explicar o conteúdo e a importância do último documentário que temos editado e vamos lançar em junho próximo. Intitula-se "Sol e sombras". Foi filmado em 5 países da América Central e no Caribe: México, Honduras, Nicarágua, Costa Rica e República Dominicana. Trata de chamar a atenção da população e das autoridades sobre a relação custos-benefícios de algum investimento inicial e a criação de empregos versus a destruição dos recursos naturais valiosíssimos, chamando a atenção para que, com tanto incentivo fiscal, os lucros, quando há, são "repatriados" aos países que investiram, deixando somente o benefício de alguns baixos salários no país "receptor" do investimento. A investigação realizada para esse documentário deixa claro que o desenvolvimento turístico tem, a partir do capital, um enfoque regional para seus investimentos. Constatamos no capital espanhol que se tem consolidado nos últimos cinco anos na América Central, uma atitude predominante de destruição da natureza, de desrespeito às leis trabalhistas dos países onde investe. Como organização com vínculos na Espanha, estamos fazendo um chamado à população espanhola, de onde procede parte do capital investido no "boom" turístico, para que sejam conscientes do impacto negativo na destruição do meio ambiente; isso não acontece somente em Cancun. Uma vez destruído um lugar, degradado um território, emigram para outro a fim de implanta o mesmo modelo depredador. O vídeo que estamos terminando é um chamado à resistência e à defesa dos recursos naturais por parte das populações nacionais. - Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=33049
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