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| Amazônia Forte - Frágil - por Déa S Melo |
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| Notícias - Ponto de vista | |||
| Escrito por LuaEstrela | |||
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Amazônia Forte - Frágil - por Déa S Melo Reportagem e texto: Déa S Melo Falamos da mais rica reserva de minério do mundo – a Região de Carajás, sudeste do Pará, Amazônia brasileira., onde aconteceu de 22 a 26 de Setembro, o Rios de Encontro: Fórum de Cultura Solidária, organizado por Pontos de Cultura, ABRA, Instituto Transformance, Tallentus Amazonia, GAM, artistas, grupos e iniciativas comunitárias locais. Tratamos de uma cultura, que de acordo com o primeiro item do Termo de Referência de Cultura do Fórum Social Mundial, 2009, “movimenta a história, irriga as florestas, carrega a memória e o destino, cria e transborda as práticas de nossa Política; uma cultura que é a subjetividade de nossa organização, nosso jeito de reunir, planejar, tomar decisões, atuar, refletir, reconhecer, resistir e transformar; que media a produção e reprodução da vida cotidiana, como nascemos, alimentamos, brincamos, amamos, falamos, transamos, fazemos amor, trabalhamos, rimos, dançamos, sonhamos, casamos, sofremos, organizamos, resistimos, educamos nossas crianças e enterramos nossos mortos. É como entendemos a nós mesmos no mundo e como vivemos esse entendimento. Se não a entendermos e não fazermos nossa própria cultura, podemos ser dominados e traídos sem percebermos, atuando contra nossos próprios interesses”. E aí fica explícita a força e ao mesmo tempo a fragilidade deste pedaço da Amazônia, consagrada e consumida pela mesma razão – sua riqueza mineral. Os habitantes, grande maioria vinda do nordeste, centro-oesta, sudeste e até sul do Brasil, sofre literalmente do sentimento de separatividade; de despertencimento e “descumplicidade” com a região amazônica como um todo. Um povo que não canta sua terra de origem e muito menos a Amazônia. Ativistas sócio-culturais-ambientais, que vivem e/ou atuam em Carajás por um cultura transformadora, são verdadeiros guerreiros e guerreiras, buscando revelar a subjetividade, o brilho dos minérios que são o território desse lugar e que portanto afetam e inspiram o jeito de ser e de viver das pessoas dali. É que em pleno Século XXI, ainda estamos nos alfabetizando com relação ao verdadeiro e inquestionável papel da cultura e das linguagens artísticas nos processos políticos, educativos e comunicacionais para o envolvimento, ao invés do des (negação) envolvimento sustentável na atualidade. Quando a educadora do município de Xinguara, expressa na voz e no corpo transbordando de alegria, que dançou Carimbó pela primeira vez; quando estudantes de Marabá, revelam que não há uma única atividade com as linguagens artísticas em sua escola e manifesta sua capacidade de liderança ao tocar pandeiro com desenvoltura; e no bairro do Cabelo Seco, onde a cidade começou às margens do Tocantins, crianças fazem som, cantam e dançam apenas com latinhas de um quintal, que antes era a beira da comunidade e hoje invadido pela construção da orla; quando o professor de El Dorado dos Carajás, passa o dia convocando crianças e jovens para integrarem o grupo de danças como caminho pedagógico de educação; quando jovens do assentamento Palmares II do MST, em El Dorado, pintam belos quadros, com surpreendente talento em compensados e sonhando um dia pintarem numa tela e finalmente quando crianças, jovens, adultos, velhos e velhas dançam, cantam, tocam e nos tiram o fôlego de tanta alegria e sabedoria que comunicam na rica manifestação do Boi-Bumbá Estrela Dalva, da comunidade da Liberdade de Marabá fechando o Fórum de Culturas, podemos afirmar que “não basta compreensão é preciso ação”, como canta o coletivo de educadores, da região do Xingu-Trasamazônica, Tocaia. Então, o mestre da música e morador do Cabelo Seco, Zequinha com toda coragem e dignidade assume o guerreiro que lhe habita, empoderado de suas infalíveis “armas” – sua poesia, sua música e seu canto, fazendo um simples alerta. Um alerta que nos faz recordar que todos e todas – habitantes deste planeta Terra, dispomos dessas mesmas armas – nossas linguagens artísticas reveladas ou ainda em potência. Estamos no palco – a Amazônia, somos brasileiros e brasileiras, temos a alma negra – indígena – cabocla – ribeirinha. Convoquemos-nos uns aos outros e aos estrangeiros, pois também precisam de uma Amazônia viva. A unidade na diversidade por uma Cultura de Paz transformadora, nos comunicando criativamente, cantando mais ou menos assim... “Estava entre-sono deitado na rede a sombra do Ipê Se dormires muito amanhã será tarde pra me proteger Desperta a malicia sacode a preguiça tens o que fazer Gente Brasileira colônia estrangeira mesmo sem querer Alerte Amazônia pra vida Um simples estalo de um frágil galho me fez despertar Notado no exemplo de heróis que tombaram por ti a lutar Aonde estão os guerreiros filhos desta terra prontos para brigar? Tamanha vergonha o povo Amazônia não pode passar Firme e consciente em meio esta gente venho insistir O barulho do trem que leva o minéiro para Itaqui Não tem Castanheira, não tem Seringueira, Areira e Pequi Num espetáculo novo distraindo o povo num som dó, ré, mi Num som dó, ré, mi Pro povo dormir Alerta Amazônia, Zequinha 2009 ***** Déa S Melo - paraense - amazônida - brasileira; Comunicadora Social, ativista sócio-cultural-ambiental, criadora da metodologia Comunic-Ação Criativa; Cooord. Comunicação da ONG/OSCIP Mana-Maní Círculo aberto de Comunicação. Educação e Cultura. Contato: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
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