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| A Medicina Avançada dos Incas - Parte 2 |
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| Notícias - Cultura ancestral | |||
| Escrito por LuaEstrela | |||
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A Medicina Avançada dos Incas - Parte 2 Verruga era outra doença muito temida, contraída quase sempre nos vales situados a uma altura de mais ou menos 1.800 metros sobre o nível do mar, e transmitida por um inseto (titira). Primeiramente, manifesta-se pela garganta ulcerada e dores nos ossos. Em seguida, aparecem pontos avermelhados que aumentam de tamanho até parecerem vulcões em miniatura e começam a supurar. Todos esses sintomas são acompanha-dos por febre alta, e os furúnculos, franzidos e verrugosos, chegam a sangrar de tal modo que sobrevém uma grande fraqueza e o doente morre de anemia. Esta doença é endêmica. Em 1869 apresentou-se com grande virulência, fazendo com que fossem paralisados por meses inteiros os trabalhos de construção da estrada de ferro peruana. Os nativos tratavam-na com uma infusão de raízes chamada huayra-huayra. No litoral, uma doença que al-guns arqueólogos confundiram com a varíola cobria braços, pernas e rostos de grandes pústulas, e se o indivíduo sobrevivia, ficava com o corpo marcado por sinais indeléveis. Esta doença foi imortalizada pelos mochicas em sua cerâmica através de um índio com o corpo salpicado de marcas. Havia outras doenças indígenas e endêmicas. O cretinismo — deformidade física e degeneração — era suficientemente comum para ser mostrado pela cerâmica litorânea. Esta exibe também doentes afligidos pelo mal de Pott, outra forma de doença degenerativa que atacava o rosto. Nos altos Andes, já na região das neves eternas, apresentava- O mal das alturas, soroche, afetava a todos os que se aventuravam a grandes altitudes sem um treino prévio. Do mesmo modo que em relação às plantas cultivadas na América, poucas eram as doenças deste continente idênticas às do Velho Mundo, excetuando-se a febre amarela e a malária. Os dois fatos constituem uma evidência inegável de que não houve um contato ininterrupto entre os dois mundos até que o homem branco transpôs a barreira, em 1492. A cirurgia, os anestésicos e outras práticas cirúrgicas estavam sumamente avançados, no Peru. Os peruanos — e o mesmo pode ser dito das culturas que precederam os incas e mesmo dos próprios incas — executaram as mais delicadas operações no crânio, trepanando as cabeças dos guerreiros feridos pelo impacto de um machado de combate e removendo os pedaços de osso que, ao pressionarem o cérebro, causavam a paralisia. É claro que muitos pacientes morriam (como acontece até hoje nesse tipo de operação), mas muitos sobreviviam, como ficou evidenciado pelo enorme número de crânios encontrados nos túmulos que apresentam uma regeneração do tecido ósseo, conseqüência do feliz resultado de uma operação cirúrgica. Ainda que os incas tenham leva-do esse tipo de cirurgia até um alto grau de perfeição, a técnica da trepanação era conhecida desde 2 mil anos antes, uma vez que também foram descobertos crânios que sofreram intervenções cirúrgicas em túmulos de culturas pré-incaicas. Apesar do interesse nas trepanações e de tudo o que se considerou sobre elas por mais de um século, apenas depois que dois cirurgiões peruanos, Francisco Grana e Esteban Rocca, fizeram um estudo exato das antigas técnicas cirúrgicas peruanas é que se pôde apreciar devidamente um aspecto tão interessante do desenvolvimento cultural desses povos. O resultado desse estudo profundo colocou os antigos peruanos numa categoria ainda mais elevada de adiantamento. Uma das armas ofensivas mais comuns era a macana, instrumento cuja "extremidade contundente" era redonda ou em forma de estrela e feita de pedra ou bronze. O melhor lugar para desferir o golpe era a cabeça, sendo abundantes as lesões no crânio adquiridas em batalhas. Em algum momento de seu desenvolvimento histórico, os índios peruanos chegaram a perceber a relação existente entre o ferimento inflingido por uma macana, e a pressão no cérebro, e daí derivou a técnica de trepanar. Mais de 10 mil crânios operados foram encontrados no interior de túmulos por todo o Peru, e em mui-tos desses túmulos foram descobertos também instrumentos cirúrgicos como pontas de flecha de obsidia-na, acondicionadas especialmente para a trepanação; navalhas de bronze (tumi) para cortar, escalpe-los , pinças, agulhas para suturas, enfim toda uma linha de instrumentos que podem ser comparados em termos favoráveis com os dos antigos romanos. Com esses instrumentos os médicos Grana e Rocca efetuaram uma trepanação num paciente vivo, empregando as mesmas técnicas dos incas para operar (com exceção da anestesia geral que utilizaram). Usaram, do mesmo modo, o tipo de torniquete inca (que se aplicava em volta da cabeça), provando assim a eficácia dos métodos cirúrgicos daquele antigo povo, que empregou também a gaze e o algodão, bem como a anestesia local e até a geral. Pouco se sabe do uso de anestésicos e narcóticos entre os peruanos. Tudo o que se pode deduzir é quais os tipos de narcóticos de que dispunham. A beladona é bastante conhecida; dela se extrai a atropina, e houve um tempo em que foi usada amplamente como "sonho crepuscular" no momento do parto. Ayahuasca ("o vinho das almas"), planta malpighiácea narcótica que cresce nas partes inferiores das montanhas que levam ao Alto Amazonas, proporcionavam com suas raízes três formas de alcalóides, que, como se sabe, contêm material muito ativo que produz efeitos no sistema nervoso central. Finalmente, na lista de prováveis anestésicos figura a muito conheci-da coca ou cuca, da qual procede a cocaína. Não há dúvida sobre sua eficácia como narcótico. Parece que nenhuma das plantas enumeradas deve ter sido capaz de produzir a anestesia geral requerida para preparar um paciente com o crânio fraturado para receber a intervenção de um "cirurgião" indígena. Ao paciente, restava apenas deixar-se operar e esperar que um misericordioso desmaio lhe cortas-se a corrente do sistema nervoso, submergindo-o num esquecimento temporal. O uso e o abuso da coca têm sido motivo de controvérsias — e agora mais do que nunca, já que chegou ao conhecimento do homem bran-co. A coca era de uso generalizado entre os incas, e é tão velha quanto o Peru. "Se a coca não existisse, também não existiria o Peru", disse Pedro Cieza de Leon. O seu consumo estendia-se a toda a região andina, até ao Amazonas. Atualmente, passam de 5 milhões os viciados nela nesta parte da América. A coca, cujo nome botânico é erythroxylum coca, é cultivada nas cálidas yungas e nas partes inferiores dos Andes orientais. Trata-se de uma planta baixa e espessa, de folhas lustrosas que têm certa semelhança com as do chá. Estas folhas são cortadas quatro vezes em quatorze meses e postas cuidadosamente para secar ao sol, sendo depois transferidas para a sombra, a fim de reter a cor verde. Nesta folhas há um alcalóide, conhecido quimicamente como mehtyl-benzil-ecogine , que ocupa um lugar na medicina sob o nome de cocaina. Houve um tempo em que foi usado como anestésico local , e ainda em 1900 era considerado um maravilhoso tonico para os nervos . O vinho da coca desfrutou de muito apreço , Sigmund Freud foi um inveterado consumidor. À continuar . . . Extraido do livro El Império de los Incas de Victor Von Hagen - 1978 []s Reynaldo
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