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A Medicina Avançada dos Incas - Parte 1 Imprimir E-mail
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Notícias - Cultura ancestral
Escrito por LuaEstrela   

A Medicina Avançada dos Incas - Parte 1

Enviado por: "Reynaldo S. Maike"

Desde o nascimento até a morte, os andinòs viviam marcados pelo sobrenatural. A doença era algo que transcendia o mundo físico e por isso devia ser curada pela medicina e pela magia ao mesmo tempo. Se alguma colheita ou se um índio caía doente sem.uma causa aparente, o fato era atribuído imediatamente à feitiçaria ou a uma possível ofensa do atingido aos poderes invisíveis. O sobrenatural dominava a sua vida; a magia e a medicina estavam identificadas uma com a outra. Quando um índio caía doente, costumava-sechamar um hampi-camayoc, literalmente um "encarregado dos remédios".

Normalmente, o tratamento tinha início quando o xamã dava ao doente um vomitivo salino de ação imediata, ou uma bebida à base de alguma raiz purgante. Imediatamente, submetia-se o paciente a um longo processo de feitiçaria, após o qual o hampi-camayoc, fazendo-se de massagista, esfregava o doente até que extraia dele, por arte de prestidigitação, algum corpo estranho: uma agulha, um alfinete, uma pedrinha .. .

Com isso, ficava removida a "causa", e receitava-se o remédio correspondente. Não se tratava de fraude ou embuste. Tanto o paciente quanto o curandeiro compartilhavam da ilusão criada. Ambos sabiam que a doença era causada por algo alojado no corpo. Mas conseguir uma cura definitiva, permanente, era outra coisa

Os índios "selvagens" do Alto Amazonas empregavam uma beberagem composta de uma trepadeira — a aya-huasca, ou cipó das almas — que tanto o paciente quanto o feitiçeiro bebiam. Por meio das visões provocadas por esse poderoso alcalóide eram recebidas "instruções" sobre a causa e a cura do mal.

As purgações e as sangrias eram recursos médicos comuns. Aliás, estas mesmas técnicas foram utiliza-das na medicina do mundo ocidental até o século 19. Os índios possuíam um vasto conhecimento das plantas terapêuticas. Muitas delas passaram a integrar a nossa farmacopéia, como o quinino, a cocaína (da planta coca), a ipecacuanha (que se usa como emético), a beladona (da qual deriva um anódino narcótico), e muitas outras.

Os que se dedicavam à medicina entre os incas possuíam o tabaco (sayri) para introduzir nas vias na-sais dos pacientes, empregando-o como rapé; o suco do matec-Ilu (planta aquática) para afecções dos olhos; a resina da árvore mulli para ajudar a cicatrização das feridas e muitas outras plantas, até chegar a uma quantidade impressionante.

O "encarregado dos remédios" auferia remuneração. Se era hábil ou contava com a ajuda da sorte, podia adquirir túnicas novas ou adornos de prata e ouro, como pagamento. Mas também enfrentava certos riscos. Como a doença era causada por malefícios, o feiticeiro era apontado como responsável pela morte do doente, e chegava a ser considerado um assassino pela família do defunto. No litoral, os índios mochicas abandonavam o médico atado ao morto, no deserto, para que ele também sucumbisse.

Quais eram as doenças que afetavam os índios? Apesar de este aspecto não ter sido estudado em profundidade, sabe-se com certeza que o homem branco trouxe ao indígena americano todas as doenças do mundo civilizado. A introdução da varíola, da tuberculose, do sarampo e do bócio causou grandes estragos entre os índios. Por sua vez, o homem americano fez chegar ao branco a doença mais conhecida: a sífilis.

Presume-se que já existiam na América a febre amarela e a malária, uma vez que são males tropicais. A maior parte das doenças pulmonares — pneumonia, bronquite e o resfriado comum — parece ter sido também conhecida. A mortalidade infantil provocada por tais males deve ter sido tão alta como na atualidade.

Outras doenças endêmicas deixavam também seu terrível rastro de mortes. Uta era uma doença que causava úlceras com destruição dos tecidos; começava em volta do nariz e lentamente ia corroendo a cartitilagem nasal e os lábios, deixando a cara horrivelmente mutilada. Pode ser vista com freqüência na cerâmica mochica, na qual todos os males que afetavam os índios são representados com realismo. Era conhecida em quíchua pelo nome de acapana ayapcha, que quer dizer "nuvens orladas de vermelho" , numa clara refêrencia às beiradas avermelhadas e sangrentas das úlceras .

À continuar . . .

Extraido do livro El Império de los Incas de Victor Von Hagen --- 1978

[]s
Reynaldo
http://br.geocities.com/rsmaike
São Paulo - Brasil
3 º Planeta - Sistema Solar

 
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