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Marcha das centrais será em 5 de dezembro Artur: "Vamos a Brasília por menos jornada, mais saúde, salário e emprego"
Publicado: 17/09/2007 - 17:02 Por: Leonardo Severo
Em reunião realizada na sede nacional da Central Única dos Trabalhadores, nesta segunda-feira, CUT, CGTB, Força Sindical e UGT definiram o 5 de dezembro como a data da IV Marcha das centrais a Brasília. Em entrevista para o Portal do Mundo do Trabalho, o presidente da CUT, Artur Henrique, faz uma avaliação sobre a importância da unidade do movimento sindical brasileiro e o papel da mobilização e da negociação para avançar nas conquistas. http://www.cut.org.br/site/start.php?infoid=14513&sid=114
A política de valorização do salário mínimo foi uma conquista das marchas unitárias das centrais em 2004, 2005 e 2006. E este ano?
Nós já conseguimos transformar a marcha do final do ano num momento importante do calendário sindical, envolvendo o conjunto das centrais sindicais em temas que são de interesse da classe trabalhadora. As três primeiras marchas tiveram uma pauta sindical bastante concreta, mas tinham objetivo que era a questão do reajuste do salário mínimo acima da inflação, de acordo com a variação do PIB, que acabou sendo fechado na realização da última marcha. Agora, nesta IV Marcha, mais uma vez estamos discutindo primeiro a unidade das centrais sindicais em torno de um tema que não é específico desta ou daquela categoria, mas demandas que dialogam com o conjunto dos trabalhadores. Depois de algumas reuniões, principalmente desta que ocorreu hoje, conseguimos definir o calendário com uma pauta de reivindicações das centrais que tem como principal objetivo levar no próximo 5 de dezembro uma grande quantidade de trabalhadores e dirigentes sindicais numa marcha a Brasília com uma pauta que também interessa ao conjunto da sociedade brasileira.
Quais são os pontos acordados?
O primeiro ponto é a redução da jornada sem redução de salário, não só pelo que isso pode trazer do ponto de vista de geração de emprego, mas também pela necessidade de discutir uma maior participação dos trabalhadores na renda nacional. O segundo ponto é mais e melhores empregos. Dentro deste tema se coloca o combate à informalidade, o combate à terceirização, a necessidade da ratificação da Convenção 158 da OIT pelo Brasil. Há vários subtemas dentro deste tema mais geral, que possibilita trabalhar com esse enorme contingente de trabalhadores que hoje na verdade não são representados por nenhum Sindicato das centrais, pois são trabalhadores que estão na informalidade. Também esse debate sobre o combate à informalidade é fundamental de ser atacado no país. O terceiro ponto é a defesa da saúde pública. Destacamos um tema das políticas públicas, as centrais optaram por esse tema, por considerar que é atual, que está atingindo a toda população brasileira. Na verdade você tem todo esse debate a respeito da necessidade da regulamentação da Emenda 29, que está no Congresso Nacional desde 2000 para ser votada, que destina mais recursos para a saúde, vincula alguns recursos do Orçamento para a Saúde, tanto a nível federal, quanto nos estados e municípios. Essa é evidentemente uma luta pela qualidade, pela implementação e fortalecimento do SUS, do Sistema Único de Saúde, como sistema público, universal e de qualidade, é uma bandeira importante para as centrais sindicais conseguirem viabilizar nesta marcha.
Há na verdade uma disputa sobre qual é o papel do Estado.
Evidentemente que este é o debate central da agenda do desenvolvimento, para qualquer dirigente de qualquer central sindical que queira pensar um projeto de país, um projeto de nação: tem que colocar na ordem do dia o debate sobre o papel do Estado. Eu diria que no começo existia quase que um certo preconceito por parte de alguns setores, que enxergavam isso como uma questão mais ligada apenas e tão somente à pauta dos servidores públicos, do ponto de vista do corporativismo. Mas nós conseguimos demonstrar que isso é fundamental, que debater o papel do Estado não é só para valorizar o servidor, é para valorizar o serviço público, e isso tem a ver com o conjunto dos trabalhadores. Nós queremos cada vez mais políticas públicas de qualidade, cada vez mais o Estado e o Orçamento sendo aplicado para melhorar estas políticas, seja de saúde, seja de educação. E nós estamos conseguindo convencer sobre a importância desta discussão. Tanto é assim que a questão da saúde pública aparece agora como um ponto na mobilização unitária das centrais. Este é um tópico social, de política pública, que será colocado como bandeira na marcha do final do ano. Isso é um processo que você vai construindo, com as pessoas sendo convencidas de que é preciso lutar para que o Estado tenha condições de prestar serviço público de qualidade para a população.
Há muitas administrações municipais que continuam burlando a lei e pagando um salário inferior ao mínimo. O que a CUT pretende fazer em relação a isso?
Este tem sido um debate que temos feito com os nossos Sindicatos ligados ao Ramo dos municipais, com a nossa Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal, a Confetam, a necessidade de implementar tanto nos estados quanto nos municípios - uma vez definido o salário mínimo - a cobrança de que as Prefeituras e os Estados paguem no mínimo o que está estabelecido pelo acordo, pois o que está inclusive escrito na Constituição Federal é muito maior do que isso. Segundo, uma campanha no sentido de fazer com que naquelas verbas destinadas pelo governo federal a Estados e municípios, que só sejam liberadas para governadores e prefeitos que se comprometerem a pagar o salário mínimo, não como um penduricalho. O que muitas administrações fazem hoje é pagar um salário base menor, cheio de adicionais, para tentar, somando todos os vencimentos, pagar um valor maior que os atuais R$ 380,00. Mas, na verdade, o salário base é R$ 200,00, R$ 230,00, portanto menor que o salário mínimo. Nós queremos garantias do pagamento do mínimo, hoje de R$ 380,00, que no ano que vem será maior pois será corrigido pela inflação mais o PIB. Queremos fazer com que as verbas do governo federal e mesmo dos estaduais para os municípios só possam ser repassadas àqueles que tiverem comprovadamente pagando o salário mínimo. Esta seria uma forma de pressão para o cumprimento da lei, que é uma questão fundamental para os 40 milhões de brasileiros que são afetados direta ou indiretamente pelo salário mínimo.
O sucesso da manifestação cutista de 15 de agosto potencializa a Marcha do final do ano?
No 15 de agosto, nós conseguimos de uma certa forma tomar a iniciativa política mostrando a força e a energia dos militantes dos sindicatos da CUT que lotaram Brasília. Uma semana depois, na Marcha das Margaridas, lotamos Brasília novamente, possibilitando aquecer essa perspectiva de que tenhamos um sucesso ainda maior na Marcha do final de ano. Há uma disposição de luta, de mobilização dos nossos Sindicatos, e isso é bastante claro. Vamos colocar a CUT na rua aliando o processo de mobilização com negociação, que é o que temos feito nas últimas manifestações, repetindo os êxitos obtidos até aqui nesta Marcha do final de ano.
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